DF vai na contramão do país e registra queda no índice de educação do Ensino Médio

Foto: Lúcio Bernardo/Agência Brasília

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O Distrito Federal registrou o pior desempenho proporcional do país no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 ao se tornar a única Unidade da Federação a apresentar queda no ensino médio em relação à edição anterior. Os dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) mostram que a nota da rede do DF caiu de 4,2 para 4,1, enquanto a média nacional avançou para 4,5, o melhor resultado da série histórica iniciada em 2005. 

O desempenho coloca o Distrito Federal em uma posição desconfortável. Além de ficar 0,4 ponto abaixo da média brasileira, a rede de ensino permanece distante da meta de 5,2 estabelecida pelo próprio MEC para essa etapa da educação básica. No ranking nacional, o DF supera apenas Amazonas, Amapá, Bahia, Maranhão e Roraima, resultado considerado incompatível com uma unidade da federação que possui uma das maiores rendas per capita do país e concentra a capital da República. 

Os números representam um revés para a política educacional conduzida pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Enquanto praticamente todas as demais unidades federativas conseguiram manter ou elevar seus indicadores, o DF caminhou na direção oposta, evidenciando dificuldades na aprendizagem dos estudantes e na efetividade das ações implementadas pela Secretaria de Educação. 

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A situação não se restringe ao ensino médio. Nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), a rede pública do DF obteve nota 6,0, abaixo da média nacional de 6,1. Quando consideradas as redes pública e privada em conjunto, o índice sobe para 6,4, evidenciando que o desempenho das escolas particulares ajuda a elevar a média geral da capital. 

Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), o cenário também é preocupante. A rede pública alcançou 4,7, enquanto a média brasileira ficou em 5,0. Somando as escolas privadas, o Distrito Federal registrou 5,1, ainda inferior aos 5,3 observados nacionalmente. 

Os resultados reforçam um problema recorrente na educação pública do Distrito Federal. Apesar dos investimentos anunciados pelo GDF, das sucessivas promessas de modernização da rede e dos discursos sobre valorização do ensino, os indicadores mostram que a aprendizagem dos estudantes não evoluiu no mesmo ritmo do restante do país. No caso do ensino médio, houve inclusive retrocesso. 

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) reconheceu que o ensino médio é atualmente o principal desafio da rede pública. A pasta informou que pretende intensificar o acompanhamento pedagógico das escolas, ampliar a realização de avaliações diagnósticas e fortalecer o monitoramento do desempenho dos estudantes. 

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A secretaria também destacou avanços na alfabetização, afirmando que 65% das crianças estavam alfabetizadas ao final do 2º ano em 2025, percentual superior à meta de 63% prevista para o período. Segundo o governo, também foram nomeados 3.442 servidores efetivos, entre professores, orientadores educacionais e gestores escolares, além da implementação de programas como o SuperAção, voltado à correção de fluxo escolar, e da consolidação do SipaeDF como ferramenta permanente de avaliação. 

Entretanto, os resultados do Ideb indicam que essas medidas ainda não produziram impacto suficiente para alterar o desempenho da etapa mais crítica da educação básica. O fato de o Distrito Federal ser a única unidade da federação a registrar queda no ensino médio reforça os questionamentos sobre a eficácia das políticas públicas adotadas e aumenta a pressão para que o GDF apresente respostas concretas para recuperar a qualidade da educação pública. 

Especialistas em educação costumam apontar que a melhoria dos indicadores depende de ações estruturantes e contínuas, envolvendo formação docente, redução da evasão escolar, fortalecimento da gestão pedagógica e acompanhamento sistemático da aprendizagem. Diante do desempenho de 2025, esses desafios passam a ocupar posição central na agenda educacional do Distrito Federal. 

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