Corrupção

Operação Gutenberg ganha força: seis prefeituras de MS entram na mira do Gaeco

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Mesmo após o avanço das investigações e os primeiros pedidos de prisão da Operação Gutenberg, contratos continuaram sendo firmados com a empresa apontada pelo Ministério Público como peça central de um esquema de desvio milionário de recursos públicos.

A investigação da Operação Gutenberg ganhou um novo capítulo e reforçou a dimensão do suposto esquema de corrupção que teria desviado milhões de reais dos cofres públicos de Mato Grosso do Sul. Após denunciar uma organização criminosa acusada de movimentar R$ 27,4 milhões por meio de contratos fraudulentos nas áreas da saúde e da educação, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) identificou novos repasses de R$ 2.160.218,00 feitos por seis prefeituras à Editora Avante, empresa apontada como o principal instrumento financeiro do grupo investigado.

As novas diligências revelaram que, mesmo com a investigação em andamento e às vésperas da deflagração da primeira fase da Operação Gutenberg, contratos continuaram sendo assinados com a empresa, demonstrando, segundo o Ministério Público, que o esquema permanecia em plena atividade.

De acordo com relatório do Gaeco, os investigadores realizaram uma nova varredura após os pedidos de prisão expedidos em julho e localizaram contratações recentes envolvendo os municípios de Anaurilândia, Japorã, Fátima do Sul, Deodápolis, Caarapó e Juti.

Os contratos somam mais de R$ 2,1 milhões, distribuídos da seguinte forma:

  • Anaurilândia – R$ 232.530,00;
  • Japorã – R$ 226.480,00;
  • Fátima do Sul – R$ 244.020,00;
  • Deodápolis – R$ 474.876,00;
  • Caarapó – R$ 589.392,00;
  • Juti – R$ 392.920,00.
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Segundo o Gaeco, a descoberta reforça a capilaridade da organização criminosa e demonstra que as negociações com o poder público continuavam ocorrendo em 2025 e 2026.

Esquema de corrupção

Conforme a denúncia do Ministério Público, a Editora Avante era controlada pelo chamado Clã Jafar, que utilizava a empresa para celebrar contratos milionários com prefeituras, em grande parte por meio de inexigibilidade de licitação.

A investigação aponta que os municípios eram induzidos a adquirir livros paradidáticos mediante processos previamente direcionados. A própria organização criminosa, segundo o Gaeco, elaborava modelos de orçamentos, pareceres técnicos e justificativas para fundamentar as contratações diretas.

Depois que os recursos públicos eram depositados na conta da empresa, o dinheiro passava por um sofisticado processo de pulverização financeira, com saques em espécie, transferências para familiares, empresas parceiras e pessoas apontadas como integrantes da organização, em um mecanismo destinado a dificultar o rastreamento pelos órgãos de controle.

As investigações também indicam que parte dos valores teria servido para pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e operadores do esquema.

Novos municípios entram na investigação

Embora os contratos identificados não representem, por si só, comprovação de irregularidades por parte das administrações municipais, o Ministério Público considera que os novos documentos justificam o aprofundamento das investigações sobre as contratações realizadas.

Entre os prefeitos que se manifestaram, o prefeito de Deodápolis, Jean da Saúde (PSDB), afirmou que o contrato foi rescindido antes da aquisição dos livros e que nenhuma quantia foi paga à empresa.

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Já o prefeito de Juti, Gilmar Marcos da Cruz (PSDB), informou que a compra ocorreu dentro dos procedimentos previstos na Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021) e negou qualquer direcionamento na contratação.

O prefeito de Anaurilândia, Rafael Gusmão Hamamoto (PP), confirmou a aquisição dos livros e informou que os materiais foram entregues, prometendo encaminhar manifestação oficial.

Os demais municípios foram procurados e ainda não haviam se pronunciado.

Organização criminosa

Nesta semana, a Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público e tornou réus 16 investigados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e outros delitos.

Entre os denunciados estão integrantes do Clã Jafar, empresários, um ex-chefe da regulação estadual da saúde, um advogado, além do ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, e outros operadores financeiros apontados como responsáveis pela movimentação dos recursos.

Segundo o Gaeco, a Operação Gutenberg revelou um esquema estruturado de corrupção que utilizava empresas de fachada para celebrar contratos milionários com prefeituras e, posteriormente, ocultar a origem dos recursos públicos por meio de operações financeiras destinadas à lavagem de dinheiro.

As investigações continuam e novas fases da operação não estão descartadas diante dos elementos colhidos após a primeira etapa da ofensiva contra o grupo criminoso.

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