Reversão do corte ocorre após reação de professores, sindicatos, parlamentares e comunidade escolar; mudança no comando da Educação amplia pressão sobre o governo
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), recuou da decisão de reduzir em R$ 25,5 milhões os recursos destinados às escolas públicas no segundo semestre de 2026. A reversão, oficializada pela Portaria nº 351, publicada na última sexta-feira (7), restabelece os valores do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF) após uma forte reação da comunidade escolar.
A mudança representa uma derrota política para o governo, que havia anunciado a redução dos repasses em um momento de dificuldades fiscais e de cobrança por resultados na educação. A pressão de professores, sindicatos, parlamentares e famílias, no entanto, tornou o corte difícil de sustentar e obrigou o Palácio do Buriti a voltar atrás.
Com a nova portaria, o PDAF passa a contar com R$ 53,65 milhões. O valor-base por estudante retorna a R$ 84, com adicionais para modalidades específicas, como educação integral e Educação Especial. Nos Centros de Ensino Especial, o acréscimo chega a 300% por aluno. O governo também determinou que nenhuma escola receba menos de R$ 20 mil.
O PDAF é utilizado pelas unidades de ensino para despesas do cotidiano, como pequenos reparos, aquisição de materiais e contratação de serviços. Na prática, a redução dos recursos atingiria justamente uma das principais fontes de autonomia financeira das escolas.
A reversão, portanto, expõe a dificuldade do governo em sustentar uma medida que afetaria diretamente a rotina das unidades de ensino. O recuo ocorre depois que a redução dos repasses provocou mobilização e críticas públicas, obrigando a gestão a restabelecer os valores originalmente previstos.
Mudança no comando da Educação
A devolução dos recursos ocorre simultaneamente à troca no comando da Secretaria de Educação do DF (SEEDF). Thiago Peixoto assume a pasta no lugar de Iedes Braga, em meio a um cenário particularmente delicado para a educação pública.
Os resultados do Ideb de 2025 mostraram que o Distrito Federal ficou abaixo da meta estabelecida no Ensino Médio. O indicador caiu de 4,2, em 2023, para 4,1, em 2025, aumentando a pressão sobre o governo por medidas capazes de melhorar o desempenho da rede.
A troca de secretário, portanto, coloca sobre o novo titular a tarefa de administrar uma pasta que enfrenta simultaneamente problemas de desempenho, pressão dos profissionais e questionamentos sobre a política de financiamento das escolas.
Novo secretário chega cercado de questionamentos
A escolha de Thiago Peixoto também não ocorre sem controvérsias. Durante sua passagem pela Secretaria de Educação de Goiás, entre 2011 e 2013, sua gestão foi alvo de críticas de entidades representativas dos trabalhadores da educação em relação a reajustes, contratação temporária e mudanças nas regras para escolha de diretores.
Mais recentemente, em Florianópolis, onde comandou a educação municipal, Peixoto enfrentou resistência de entidades sindicais após mudanças nas regras relacionadas à Educação Especial. A medida foi duramente criticada pela categoria e chegou a provocar questionamentos junto ao Ministério Público de Santa Catarina.
Agora, no Distrito Federal, o novo secretário assume justamente quando o governo tenta reconstruir a relação com a comunidade escolar.
O recuo no corte do PDAF pode aliviar parte da tensão, mas também deixa uma pergunta política para a gestão de Celina Leão: por que foi necessário provocar uma reação tão forte da comunidade escolar para que o governo reconsiderasse uma redução que atingiria diretamente o funcionamento das escolas?
A resposta deverá ser dada pela nova equipe da Secretaria de Educação, que terá pela frente o desafio de recuperar os indicadores de aprendizagem, administrar as demandas da rede e evitar que novas medidas de contenção transformem a educação novamente em foco de desgaste para o governo.




















