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Câmara de Cuiabá blinda vereador afastado e rejeita comissão para investigar suspeitas de corrupção

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A Câmara Municipal de Cuiabá protagonizou, nesta terça-feira (10), mais um capítulo que aprofunda a crise de credibilidade do Legislativo ao rejeitar dois pedidos de abertura de Comissão Processante (CP) contra o vereador afastado Chico 2000 (sem partido), alvo da Operação Gorjeta.

Mesmo diante de acusações graves como desvio de recursos públicos, peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, tendo como possíveis vítimas a própria Câmara e a Secretaria Municipal de Esportes  a maioria dos parlamentares optou por barrar a investigação política interna. Quinze vereadores votaram contra a abertura da comissão, apenas sete foram favoráveis e houve uma abstenção.

O episódio evidencia um movimento de autoproteção que desafia o discurso recorrente de compromisso com a transparência. A Comissão Processante não representa condenação, mas sim o instrumento mínimo para apurar fatos e garantir o direito de defesa do investigado. Ao impedir sua instalação, a Câmara passa a mensagem de que prefere evitar o escrutínio público a enfrentar suspeitas que já motivaram operação policial e afastamento judicial.

Os pedidos de abertura da CP foram apresentados pelo ex-juiz Julier Sebastião e pelo servidor e jornalista Juliano Rafael Teixeira Enamoto, ambos fundamentados na possível quebra de decoro parlamentar diante das investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor). Ainda assim, a maioria dos vereadores ignorou a gravidade institucional do caso.

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A própria presidente da Casa, Paula Calil (PL), declarou ser favorável à investigação, reconhecendo que a comissão permitiria ao vereador acusado se explicar à sociedade. No entanto, a manifestação ficou restrita ao discurso: sem voto de desempate a exercer, a presidência assistiu à rejeição que mantém a Câmara distante da transparência que afirma defender.

Mais do que proteger um parlamentar específico, a decisão reforça a percepção de que o corporativismo continua sendo regra quando denúncias atingem integrantes do poder. Em vez de responder à sociedade com apuração rigorosa, o Legislativo escolheu fechar as portas — atitude que amplia a desconfiança popular e enfraquece ainda mais a legitimidade da instituição.

Num momento em que a população cobra ética e responsabilidade no uso do dinheiro público, barrar uma investigação sobre suspeitas tão sérias não é apenas um erro político. É um sinal preocupante de que, para parte da Câmara de Cuiabá, preservar mandatos parece ser mais importante do que preservar a verdade.

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