A Câmara Municipal de Dourados aprovou, por dez votos favoráveis e quatro contrários, a abertura de mais uma denúncia contra a vereadora mais votada do município, ampliando a sequência de questionamentos envolvendo sua atuação parlamentar. Desta vez, o caso envolve a fiscalização de obras públicas e a forma como essas ações vêm sendo divulgadas nas redes sociais.
A denúncia foi protocolada pela engenheira Irionetti Fátima Ferreira, responsável pela Norte Engenharia Ltda, que acusa a parlamentar de divulgar informações falsas e de promover ataques que atingem a honra e a imagem de profissionais envolvidos nas obras. No documento, são citadas “divulgação de informações falsas e inverídicas” e “disseminação de ódio” como condutas recorrentes.
A comissão processante formada para apurar o caso será presidida pelo vereador Sargento Prates, com relatoria do Inspetor Cabral e participação de Márcio Pudim como membro.
A postura da vereadora, no entanto, tem sido de enfrentamento. Em suas redes sociais, ela afirmou que continuará realizando fiscalizações. “Fui eleita para fiscalizar e não vou parar. Só se eu morrer ou se armarem para eu ser presa”, declarou, em tom considerado por críticos como exagerado e pouco institucional para o cargo que ocupa.
Acúmulo de denúncias levanta questionamentos
Este não é um caso isolado. A vereadora já responde a outras duas frentes de investigação dentro do Legislativo, o que tem intensificado o desgaste político e levantado dúvidas sobre sua conduta.
Uma das comissões processantes apura possível uso indevido da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar. A denúncia, apresentada pelo advogado Wagner Batista da Silva, aponta indícios de utilização irregular de recursos públicos, incluindo abastecimento de veículos em datas próximas a viagens pessoais, como deslocamentos pelo interior e até participação em festival em São Paulo. Caso confirmadas, as irregularidades podem configurar quebra de decoro parlamentar.
Além disso, uma segunda denúncia foi encaminhada à comissão de ética da Câmara. Servidores de uma unidade de saúde acusam a vereadora de desrespeitar o direito de descanso dos trabalhadores durante fiscalizações, o que teria gerado constrangimentos e conflitos no ambiente de trabalho.
Fiscalização ou exposição?
Embora a fiscalização seja uma das principais atribuições de um vereador, especialistas e parlamentares ouvidos nos bastidores avaliam que há uma linha tênue entre o dever de fiscalizar e a exposição indevida de profissionais e situações ainda não apuradas.
Críticos apontam que a atuação da vereadora pode estar mais voltada à repercussão nas redes sociais do que à efetividade das denúncias, o que, segundo eles, compromete a credibilidade do mandato e gera instabilidade institucional.
Por outro lado, apoiadores defendem que a parlamentar apenas cumpre seu papel e enfrenta resistências por adotar uma postura mais incisiva.
Defesa e contexto político
A vereadora afirmou que algumas das denúncias têm relação com disputas pessoais e políticas. Ela também mencionou problemas judiciais com um dos denunciantes, mas disse não poder comentar o caso por estar sob segredo de Justiça.
Além disso, sustentou que o aumento das acusações ocorre em um contexto eleitoral, sugerindo motivação política por trás das representações.
Cenário de pressão
Com três frentes de investigação simultâneas, a vereadora passa a enfrentar um cenário de forte pressão dentro da Câmara de Dourados. O avanço das apurações poderá definir não apenas o futuro político da parlamentar, mas também os limites da atuação fiscalizatória no Legislativo municipal.





















