Negociações bilionárias, versões conflitantes e suspeita de fraude colocam governador do DF no centro das apurações sobre a tentativa de venda do Banco Master ao BRB
As investigações sobre a tentativa de venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB) avançam no Supremo Tribunal Federal (STF) e ampliam o debate sobre o grau de envolvimento político na operação. Depoimentos colhidos no inquérito indicam que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), tinha conhecimento prévio das tratativas e manteve contatos diretos com dirigentes das instituições envolvidas.
Conhecimento antecipado e relatos ao STF
Em depoimento, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou ter informado pessoalmente o governador sobre a operação bilionária. Segundo ele, Ibaneis estava ciente dos investimentos planejados, embora Costa sustente que a decisão de avançar na negociação se baseou em avaliações técnicas da presidência do banco. Investigadores e críticos, contudo, veem nas declarações um indício de anuência política no negócio, anunciado em março de 2025 e celebrado pelo próprio governador como um dia “histórico”.
Reuniões e proximidade institucional
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, também relatou conversas recorrentes com Ibaneis sobre a venda ao BRB. Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro disse que o tema foi tratado em encontros institucionais com outras pessoas presentes e mencionou visitas mútuas às residências, inclusive a presença do governador em sua casa.
Versões em confronto
Diante das revelações, Ibaneis Rocha adota postura de cautela e nega envolvimento direto nas tratativas:
- Nega negociações com Vorcaro, afirmando que esteve em sua residência apenas uma vez, para um almoço sem discussão sobre o negócio;
- Evita comentar depoimentos por ainda não ter acesso integral aos autos;
- Defende a legalidade, afirmando que, à época, a operação parecia vantajosa para o banco estatal.
Apuração de fraude e impacto financeiro
O caso ganhou gravidade com a apuração, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, de indícios de que o Master teria vendido ao BRB R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ou de baixa qualidade. O Banco Central vetou a operação em setembro de 2025 e decretou a liquidação do Master em novembro. O prejuízo estimado chega a R$ 4 bilhões.
Embora o nome de Ibaneis Rocha seja o primeiro de um agente político citado nos depoimentos que tramitam no STF, o governador não figura formalmente como investigado até o momento. O inquérito segue sob sigilo, com novos depoimentos previstos, enquanto as autoridades buscam esclarecer se houve influência política nas decisões do banco público.
























