A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, promoveu uma nova rodada de mudanças estratégicas no alto escalão do Governo do Distrito Federal (GDF), reacendendo críticas sobre o uso político de cargos públicos e o fortalecimento de grupos de influência dentro da máquina administrativa. As alterações, publicadas em edição extra do Diário Oficial do DF nesta segunda-feira (25), atingem administrações regionais, a Secretaria de Mobilidade e o Conselho de Saúde do DF.
A principal mudança ocorreu na Administração Regional de Ceilândia, uma das maiores e mais politicamente relevantes regiões administrativas do Distrito Federal. O ex-vice-governador Renato Santana da Silva foi nomeado administrador regional, retornando ao comando da cidade após mais de uma década. A movimentação ocorre em meio às articulações políticas para as eleições de 2026 e é vista nos bastidores como tentativa do governo de reforçar sua presença em redutos eleitorais estratégicos.
Renato Santana substitui Dilson Resende de Almeida, que deixou o cargo para disputar as próximas eleições. A troca reforça a percepção de que as administrações regionais continuam funcionando como espaços de acomodação política e de fortalecimento eleitoral, especialmente em áreas populosas como Ceilândia.
Outra mudança significativa ocorreu no Sol Nascente/Pôr do Sol, onde Oseias Ribeiro de Souza assumiu a administração regional. Antes da nomeação, Oseias atuava como assessor especial da Secretaria de Governo. A substituição amplia a influência de aliados do Palácio do Buriti em regiões consideradas sensíveis pela alta demanda por infraestrutura, transporte e serviços básicos.
Além das administrações regionais, o GDF também promoveu alterações na Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob). José Ferreira de Andrade foi exonerado do cargo de assessor especial, mas o governo não informou quem assumirá a função nem detalhou os motivos da mudança. A ausência de explicações públicas reforçou críticas recorrentes sobre a falta de transparência em nomeações e exonerações dentro da estrutura do Executivo local.
Na área da saúde, a reconfiguração do Conselho de Saúde do Distrito Federal (CSDF) também chamou atenção. Eliane Souza de Abreu foi nomeada para substituir Cleber Monteiro Fernandes no colegiado, representando o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal no mandato de 2026 a 2030.
A mudança reacende debates sobre o peso crescente do Iges-DF nas decisões estratégicas da saúde pública do DF. Criado sob a justificativa de modernizar a gestão hospitalar, o instituto vem sendo alvo frequente de questionamentos por parte de órgãos de controle, sindicatos e parlamentares, especialmente devido ao volume bilionário de recursos administrados e aos recorrentes problemas na rede pública de saúde.
Embora o governo sustente que as mudanças buscam “fortalecer a gestão pública” e “melhorar o atendimento à população”, críticos apontam que as substituições ocorrem em meio ao avanço das articulações eleitorais de 2026 e refletem mais uma reorganização política interna do que uma reformulação técnica baseada em resultados concretos para a população.
Nos bastidores do Buriti, interlocutores avaliam que a série de nomeações evidencia um movimento de consolidação política de Celina Leão à frente do GDF, ampliando sua influência sobre estruturas administrativas estratégicas e fortalecendo alianças em regiões de forte peso eleitoral no Distrito Federal.





















