A Câmara de Vereadores de Dourados decidiu acatar, na sessão desta segunda-feira (23), duas denúncias contra a vereadora Isa Marcondes (Republicanos), reacendendo o debate sobre postura parlamentar, uso de recursos públicos e respeito aos servidores da saúde.
As denúncias foram protocoladas por servidores da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), que acusam a parlamentar de “infrações de violação ao direito de descanso” de profissionais de saúde lotados na unidade, em episódio ocorrido no dia 31 de janeiro. A outra representação, assinada pelo advogado Wagner Batista da Silva, aponta suposto ato de improbidade administrativa na utilização de recursos da Ceap (Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar), especialmente em despesas com combustíveis.
No caso envolvendo a UPA, a denúncia foi aceita por 16 votos favoráveis e três contrários e será analisada pela Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. Já a representação sobre o uso da Ceap recebeu 17 votos favoráveis e apenas dois contrários, demonstrando amplo apoio do plenário para a abertura da apuração.
Para esta segunda denúncia, foi instaurada uma comissão processante, que terá 90 dias para analisar provas, ouvir testemunhas e elaborar relatório final a ser submetido ao plenário da Casa.
Crise política e desgaste institucional
O acatamento das denúncias representa um novo capítulo de desgaste político envolvendo a parlamentar, que já acumula outras duas representações por quebra de decoro protocoladas anteriormente na Casa ambas rejeitadas pelo plenário.
Embora ainda esteja assegurado o direito à ampla defesa e ao contraditório, o volume de denúncias sucessivas levanta questionamentos sobre o padrão de conduta da vereadora e sobre os limites da atuação parlamentar em unidades de saúde.
Profissionais da rede pública relatam que episódios como o ocorrido na UPA impactam diretamente o ambiente de trabalho e o atendimento à população, especialmente em unidades que já enfrentam sobrecarga, déficit de pessoal e alta demanda.
Uso da Ceap sob suspeita
A denúncia relacionada à Ceap adiciona um elemento ainda mais sensível ao caso: a gestão de recursos públicos destinados ao exercício da atividade parlamentar. Caso sejam confirmadas irregularidades, o episódio poderá extrapolar o âmbito político e ganhar contornos jurídicos mais graves.
O uso da verba indenizatória, embora previsto em lei, exige transparência e rigor na prestação de contas. Em tempos de cobrança por responsabilidade fiscal e ética na política, qualquer indício de desvio ou uso inadequado tende a gerar forte reação da opinião pública.
“Perseguição política”, diz vereadora
Durante a sessão, Isa Marcondes utilizou a tribuna para afirmar que está sendo alvo de perseguição política. A alegação, no entanto, não arrefeceu o clima de tensão no plenário nem impediu a formação das comissões que irão apurar os fatos.
O processo agora entra na fase de instrução. Caso as comissões concluam pela procedência das denúncias, o relatório final será votado pelos vereadores, podendo resultar em sanções que vão de advertência até cassação de mandato, conforme a gravidade das conclusões.
Enquanto isso, a população de Dourados acompanha mais um episódio que expõe fragilidades políticas e institucionais na Câmara Municipal — e reforça a cobrança por ética, responsabilidade e respeito ao serviço público.























