A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul viveu clima tenso nesta quinta-feira (27/11), após um discurso contundente do deputado estadual João Henrique Catan (PL) que elevou a crise envolvendo a Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de MS) a um novo patamar. O parlamentar acusou a direção da entidade — e especialmente seu presidente, Ricardo Ayache de conduzir operações financeiras e imobiliárias que classificou como “fraudulentas, mentirosas e lesivas ao patrimônio dos servidores públicos”.
Segundo João Henrique, a Cassems teria falsamente divulgado que o Governo do Estado teria anuído a uma operação de crédito utilizada para lastrear hipoteca de aproximadamente R$ 500 milhões, além de negociações de imóveis supostamente subavaliados. O deputado exibiu, no plenário, um documento oficial assinado pela Secretaria de Estado afirmando que não existe qualquer instrumento, entre 2022 e 2025, em que o Estado figure como interveniente anuente da operação envolvendo a Cassems e o Sicoob Minas Gerais.
“Essa operação da Cassems é uma mentira. É uma barbada. Violou o patrimônio dos servidores e ocorreu sem transparência, sem moralidade e sem qualquer autorização do Estado”, declarou o parlamentar.
Durante o discurso, João Henrique criticou publicamente o advogado da Cassems que repetiu a versão da direção da caixa chamando-o de “doutor Pinóquio”. Para o deputado, a tentativa de vincular o Governo à operação seria uma estratégia para dar “garantia política e jurídica a uma manobra financeira construída em banco de fora do Mato Grosso do Sul”.

Acusações que pesam contra a gestão da Cassems
João Henrique detalhou uma série de irregularidades que, segundo ele, configurariam fraudes, estelionato e crimes financeiros previstos no artigo 171 do Código Penal. Entre elas:
1. Venda de imóvel com deságio de 50%
Um terreno de 25 mil m² em Campo Grande, comprado pela Cassems por R$ 3 milhões e avaliado hoje em cerca de R$ 13 milhões, teria sido repassado por apenas R$ 2,8 milhões para empresas vinculadas à própria entidade.
2. Transações subavaliadas em Aquidauana
Operações envolvendo casas residenciais teriam causado prejuízo ao patrimônio da Cassems, conforme valores registrados em cartórios e guias tributárias.
3. Tentativas de registrar imóveis abaixo do valor venal
Prefeituras de Campo Grande e Aquidauana teriam recusado escrituras emitidas com valores inferiores ao real, obrigando tributação pelo valor correto — o que reforçaria, segundo o deputado, a subavaliação “fraudulenta”.
4. Hipoteca de cerca de R$ 500 milhões
O parlamentar acusa a direção da Cassems de hipotecas ilegais, sem anuência do Estado e sem autorização da Assembleia Legislativa.
Colapso no atendimento: médicos e clínicas descredenciadas
Além das supostas fraudes, João Henrique denunciou um “desmonte silencioso” na rede de atendimento da Cassems: médicos, laboratórios e clínicas estariam sendo descredenciados por falta de pagamento, prejudicando diretamente milhares de servidores públicos.
Ele relatou casos pessoais, como o descredenciamento da médica que atende seu parente e a paralisação de laboratórios em Dourados. “Milhares de fornecedores estão em atraso. A direção da Cassems tenta abafar críticas, bloqueando comentários nas redes sociais”, afirmou.
Deputado pede prisão de Ayache e cobra CPI imediata
Em um dos momentos mais duros da fala, João Henrique pediu a prisão do presidente da Cassems, Ricardo Ayache, alegando ter enviado ao Ministério Público e ao Judiciário documentos que comprovariam a fraude, como a cédula de hipoteca e a certidão do Governo negando qualquer anuência.
“Há indícios de crimes contra o sistema financeiro nacional, fraude em operações de crédito, simulação contratual, subavaliação de imóveis, enriquecimento ilícito e desvio de recursos que deveriam garantir assistência à saúde. Bandidos cairão”, concluiu.
O parlamentar exigiu ainda que a Assembleia Legislativa instale imediatamente uma CPI da Cassems, afirmando que a omissão do Parlamento o tornaria “cúmplice” do prejuízo aos servidores.
Posicionamento da Cassems e de Ricardo Ayache
Até o momento da publicação desta matéria, a Cassems e seu presidente Ricardo Ayache não haviam emitido nova manifestação sobre as acusações feitas no plenário. A entidade havia anteriormente informado, por meio de advogado, que o Estado teria anuído à operação financeira — informação contestada pelo documento divulgado pelo deputado.
A reportagem deixa espaço aberto para direito de resposta e publicará qualquer posicionamento encaminhado pela Cassems ou por Ayache.
























