Efeito Bumerangue

Direita tenta lucrar com operação nas favelas, mas sofre com Cláudio de Castro e os Bolsonaro na corda bamba

Cláudio Castro: surfa na necropolítica com o mandato ameaçado Foto Rovena Rosa/Agência Brasil

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A prosopopéia e a encenação da extrema-direita e do bolsonarismo para lucrar politicamente com a operação policial no Rio de Janeiro estão sofrendo um contraponto desagradável. Com alguns de seus líderes mais expressivos na corda bamba dos tribunais e as amostragens das recentes pesquisas, o ânimo para fazer a oposição ao governo Lula e ao PT perde a intensidade e os dirigentes já estão à procura de outras soluções para o enfrentamento eleitoral de 2026.

Uma das pedras no sapato direitista é a Família Bolsonaro. O seu líder, Jair Bolsonaro (PL), está condenado a 27 anos de prisão e prestes a ser encarcerado. Tenta se manter como referência do conservadorismo, mas avança para ficar como uma peça luxuosa de adorno partidário, sem condição moral e política para impor suas vontades, até mesmo indicar alguém à sua sucessão.

Jair Bolsnaro: mantém a mística, mas de9ixa de ser absoluto na direita Foto André Borges

Os quatro filhos parlamentares protagonizando cenas e atitudes de flagrante besteirol e até de morbidez. O caçula, Jair Renan, vereador em Camboriú (SC), é useiro e vezeiro de episódios que denunciam completo desconhecimento de informações e responsabilidades. Outro vereador Carlos, renunciou ao mandato no Rio de Janeiro e mudou-se para Santa Catarina com o objetivo de disputar o Senado.

SITUAÇÃO CRÍTICA – Eduardo, o mais velho, está em situação mais crítica. Alvo de graves acusações, ele terá seu primeiro “Dia D” daqui a três semanas, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) analisará a denúncia de tentativa de coação da Justiça. Oferecida pelo chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, a denúncia afirma que Eduardo articulou, com o blogueiro Paulo Figueiredo Filho, medidas de pressão junto ao governo dos EUA para constranger os ministros do STF e favorecer Jair Bolsonaro em julgamentos no Tribunal.

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Eduardo Bolsonaro: tentativa de coação e mandato na corda bamba

A denúncia foi formalizada no Inquérito 4.995, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Mas há um outro julgamento, já iniciado e nada gradável para o bolsonarismo, que envolve o governador Cláudio de Castro, do Rio de Janeiro. Ele comemorou ruidosamente a sangrenta e espetaculosa operação policial nas comunidades do Alemão e da Penha, que resultou em 121 mortes.

Pré-candidato ao Senado, Castro aproveitou ao máximo, diante das câmeras, a semana de grande estrela no combate ao crime, como se não houvessem pessoas inocentes e quatro policiais entre as vítimas de um ataque mal planejado. Porém, mesmo surfando na onda da necropolítica, o governador não consegue escapar do lado amargo da moeda.

CASSAÇÃO – Na terça-feira, 04, a ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Isabel Galottti, relatora do processo por abuso de poder político e econômico, votou pela cassação de seu mandato. O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Antonio Carlos Ferreira. A decisão dá um prazo de até 30 dias para a retomada do processo. O voto da relatora pode significar que já existe na Corte um sentimento ou uma convicção de que as acusações têm fundamento.

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Por fim, para coroar o inferno astral bolsonarista, na segunda-feira passada o ex-governador Anthony Garotinho publicou nas redes sociais ter conhecimento de um alerta do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias (ex-MDB), ameaçando delatar o governador Cláudio Castro. Na prisão desde setembro por intermediar compra e venda de armas para o Comando Vermelho, TH Joias disse que a operação policial no Alemão foi “queima de arquivo”.

Segundo Garotinho, o ex-deputado assegurou que se continuar na prisão até o final de novembro, vai virar um homem-bomba e contar tudo o que sabe de várias autoridades, citando nominalmente o deputado Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), e o governador Cláudio Castro.

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