Feminicida que ‘massacrou’ família de ex-mulher esfaqueou vítimas antes de consumar três mortes ao incendiar casa em Rochedo

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O terrível caso de massacre a família em Rochedo que o Pauta Diária noticiou na tarde desta segunda-feira (10), teve ainda ontem a noite a notícia que o homem negou que teria cometido o 36º Feminicídio em MS matando ex-mulher e familiares, pois estava dormindo em casa. Contudo, a negação foi típica de um serial kiler, pois na manhã desta terça-feira (11), como já mostramos também, ele já foi indiciado por duplo Feminicídio e um homicídio de um adolescente.

Mas, agora, relataremos, dois detalhes importantes sobre o apontado feminicida, Higor Thiago Santana de Almeida, vulgo ‘Pezão’. Ele já tinha ficha policial por estupro e cárcere privado, e agora ‘massacrou’ família da atual ex-mulher, esfaqueando as vítimas várias vezes antes de consumar as três mortes ao incendiar a casa dela, no pequeno município de Mato Grosso do Sul, a 70 km de Campo Grande.

As vítimas, Rosimeire Vieira de Oliveira, 37 anos, a mãe Irailde Vieira Flores Oliveira, 83 anos, e o filho, Bruno de Oliveira Gonçalves, de 14 anos, foram mortas ‘duas vezes’, pois após serem esfaqueadas por diversas vezes, para consumar as mortes e tentar ‘apagar’ os crimes, Higor, colocou fogo na casa, onde corpos foram carbonizados na madrugada de ontem (10). Até não se sabe, se as vítimas já estavam mortas ou ainda sofreram, sendo queimadas.

O delegado Jarley Inácio de Souza, informou que a dinâmica do crime em Rochedo continua sendo investigada. Mas, exames preliminares, indicaram que as vítimas foram esfaqueadas na região do pescoço e tórax ao menos seis vezes cada. “Não saiu o resultado definitivo da perícia; em conversa com o médico-legista, preliminarmente ele adiantou que as vítimas teriam sido feridas com faca”, explicou.

Arma do primeiro crime

Conforme o delegado, uma faca com vestígios de sangue foi encontrada próximo ao local do crime. “Foram encontrados vestígios de sangue na roupa e bota dele [Higor]. Os três sofreram perfurações por arma branca, em torno de cinco a seis facadas cada vítima, mas não saiu de forma conclusiva o resultado ainda”, detalhou.

Faca utilizada no crime e bota com resquícios de sangue. (Foto: PC-MS – Reprodução)

Passagens por estupro e cárcere privado

Conforme apurado pela reportagem, o acusado, Higor, em setembro de 2016, teria agredido com socos uma mulher — anterior a Rosimeire —, além de obrigá-la a manter relações sexuais com ele.

A vítima também havia sido impedida de sair da residência para trabalhar e foi ameaçada de morte pelo homem, que na época era faixa azul de jiu-jítsu.

A mulher só conseguiu procurar a Delegacia de Polícia após o homem libertá-la do cárcere privado. No episódio, ele ainda teria dito: “Depois de tudo isso, eu sei que você vai largar de mim, porque você já avisou que, se tivesse outra agressão, você iria largar de mim, então vou fazer tudo como se fosse a última vez, como se fosse uma despedida”.

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Enquanto estava na delegacia registrando o boletim de ocorrência, Higor, na época, teria passado em frente ao local, dizendo: “Eu falei para você não fazer, eu não tenho medo de polícia, já fiquei preso um ano”. Assim, após, ele foi preso em flagrante pela Polícia Civil.

Resumo do agora incêndio e três mortes em residência da Ex

Agora, nove anos depois, o oficial feminicida** Higor Thiago Santana de Almeida é indiciado por três assassinatos e de ter ateado fogo na residência da ex-companheira Rosimeire, com ela ainda viva ou já em corpo falecido dela e da mãe idosa Irailde e do filho adolescente Bruno. Todos morreram então carbonizados na madrugada desta segunda-feira (10).

Segundo o boletim de ocorrência, a PM foi acionada e, chegando ao endereço, encontrou vários moradores com mangueiras tentando conter o fogo. No local, havia um brigadista de um frigorífico, que relatou ter entrado na casa e visto um corpo, aparentemente de uma criança, carbonizado.

Aos policiais, uma amiga de Rosimeire contou que a vítima lhe pediu socorro pelo WhatsApp, dizendo que havia uma pessoa na residência. Na ocasião, a amiga relatou que possivelmente o incêndio teria sido criminoso, pois ela suspeitava de que o autor seria um ex-companheiro que não aceitava o fim do relacionamento com Rosimeire.

Diante dos fatos, os militares iniciaram diligências e foram até a casa do suspeito, na Rua Mato Grosso. Lá, Higor foi localizado e encaminhado para a Delegacia de Polícia Civil, onde o caso é investigado.

De incio, o caso foi registrado como incêndio e morte por causa indeterminada. Mas, já de acordo com a dinâmica dos fatos, a morte de Rosimeire seria o 36º Feminicídio em MS, neste ano de 2025.

** Definição: “Feminicida” se refere a quem pratica o ato de matar uma mulher em decorrência de sua condição feminina, seja por ódio, discriminação ou violência doméstica.

Feminicídios em 2025 no MS

A última vítima de Feminicídio no Estado havia sido Maria Aparecida do Nascimento Gonçalves. O acusado seria seu próprio filho, Gabriel Gonçalves Ferreira, de 18 anos, e o amigo dele, Carlos Henrique Dantas, de 20 anos. Os dois estão presos desde o último dia 4, quando aconteceu o crime em Aparecida do Taboado.

Na mesma noite em que Maria foi assassinada, Aline Silva, de 26 anos, foi morta a facadas na frente da filha e de sua mãe, no bairro Santa Luzia, em Jardim. O suspeito, Nélio Moraes, de 65 anos, fugiu após o crime, mas foi preso pelo 11º BPM (Batalhão de Polícia Militar) no dia seguinte.

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1- Karina Corim (Caarapó) – 4 de fevereiro;

2- Vanessa Ricarte (Campo Grande) – 12 fevereiro;

3- Juliana Domingues (Dourados) – 18 de fevereiro;

4- Mirielle dos Santos (Água Clara) – 22  fevereiro;

5- Emiliana Mendes (Juti) – 24 de fevereiro;

6- Gisele Cristina Oliskowiski (Campo Grande) – 1º de março;

7- Alessandra da Silva Arruda (Nioaque) – 29 de março;

8- Ivone Barbosa (Sidrolândia) – 17 abril;

9- Thácia Paula (Cassilândia) – 11 de maio;

10-Simone da Silva (Itaquiraí) – 14 de maio;

11- Olizandra Vera Cano (Coronel Sapucaí) – 23 de maio;

12- Graciane de Sousa Silva (Angélica) – 25 de maio;

13- Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande) – 28 de maio;

14- Sophie Eugenia Borges, filha de Vanessa Eugênio (CG – 28 de maio)

15- Eliana Guanes (Corumbá) – 6 de junho;

16- Doralice da Silva (Maracaju) – 20 de junho;

17- Rose (Costa Rica) – 27 de junho;

18- Michely Rios Midon Orue (Glória de Dourados) – 3 de julho;

19- Juliete Vieira – (Naviraí) – 25 de julho;

20- Cinira de Brito (Ribas do Rio Pardo) – 31 de julho;

21- Salvadora Pereira (Corumbá) – 2 de agosto;

22- Letícia Ananias de Jesus (Cassilândia) – 8 de agosto;

23- Dahiana Ferreira Bobadilla (morta no Paraguai, mas encontrada em Bela Vista) — 8 de agosto;

24- Érica Regina Mota (Bataguassu) – 27 de agosto;

25- Emanuely Victoria Souza Moura (Campo Grande) – 27 de agosto;

26- Dayane Garcia (Nova Alvorada do Sul) – 3 de setembro;

27- Iracema Rosa da Silva (Dois Irmãos do Buriti) – 8 de setembro;

28- Ana Taniely Gonzaga de Lima (Bela Vista) – 13 de setembro;

29- Gisele da Silva Cylis Saochine (Campo Grande) – 2 de outubro;

30- Erivelte Barbosa Lima de Souza (Paranaíba) – 10 de outubro;

31- Andrea Ferreira (Bandeirantes) – 12 de outubro;

32- Solene Aparecida Corrêa (Três Lagoas) – 21 de outubro;

33- Luana Cristina Ferreira Alves (Campo Grande) – 28 de outubro;

34- Aline Silva (Jardim) – 4 de novembro;

35-  Maria Ap. do Nascimento Gonçalves (Aparecida do Taboado) –  4 de novembro;

36- Rosimeire Vieira de Oliveira ( Rochedo) – 10 de novembro;

37- Irailde Vieira Flores Oliveira (mãe de Rosi – Rochedo) – 10 de novembro.

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