GDF reduz equipe da Casa Abrigo do DF e gera alerta sobre risco às vítimas de violência contra mulher

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O Governo do Distrito Federal (GDF) enfrenta críticas após iniciar um processo de redução no quadro de servidores da Casa Abrigo, única unidade de alta complexidade do Distrito Federal destinada ao acolhimento sigiloso de mulheres vítimas de violência doméstica sob risco iminente de morte. 

A medida, conduzida pela Secretaria da Mulher do DF (SMDF), prevê a saída de parte dos profissionais atualmente lotados no local. Segundo informações apuradas junto a servidores da área, até 12 dos 35 funcionários da unidade foram consultados sobre interesse em deixar o equipamento, em uma reestruturação administrativa que pode representar redução de até 50% da força de trabalho. 

A iniciativa provocou forte reação de especialistas, trabalhadores da assistência social e representantes sindicais, que alertam para o risco de enfraquecimento da principal estrutura de proteção emergencial às mulheres ameaçadas no DF. 

Servidores alertam para impacto direto na proteção às vítimas 

O Sindicato dos Servidores e Empregados da Assistência Social e Cultural do DF (Sindsasc-DF) afirma que a movimentação pode resultar em remoções compulsórias e comprometer diretamente o funcionamento da unidade. 

Atualmente, a Casa Abrigo acolhe mulheres em situação extrema de vulnerabilidade, além de seus filhos menores, oferecendo proteção integral, atendimento psicossocial e suporte emergencial em casos de ameaça grave, perseguição e violência doméstica. 

A unidade possui capacidade para abrigar até 40 pessoas simultaneamente e opera em regime de sigilo para preservar a segurança das vítimas. 

Profissionais da área afirmam que a redução da equipe pode comprometer plantões, atendimentos especializados e a própria capacidade operacional do espaço, justamente em um cenário de crescimento das denúncias de violência contra a mulher no Distrito Federal. 

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Expansão da rede é usada como justificativa 

A Secretaria da Mulher argumenta que a reestruturação faz parte de uma política de redistribuição de servidores diante da ampliação da rede de atendimento às mulheres no DF. 

Segundo a pasta, o número de equipamentos públicos voltados ao acolhimento feminino teria saltado de 14 para 31 unidades nos últimos anos, incluindo centros de referência, espaços de orientação e estruturas de apoio psicossocial. 

A gestão sustenta que a reorganização busca otimizar a força de trabalho sem comprometer os serviços prestados. 

Entretanto, servidores criticam a estratégia adotada pelo governo e afirmam que a ampliação da rede não pode ocorrer às custas da precarização da única unidade responsável pelos casos de maior gravidade. 

Nos bastidores da assistência social, profissionais classificam a medida como uma política de “desidratação silenciosa” dos equipamentos de proteção intensiva. 

Concurso público ainda não resolve déficit imediato 

O GDF também cita a realização de um novo concurso público para a carreira de Assistência Social, com previsão de 368 vagas. 

As provas, porém, estão previstas apenas para setembro, e a contratação efetiva dos novos servidores ainda deve levar meses após a conclusão do certame. 

Para representantes da categoria, o intervalo entre a saída de profissionais experientes e a eventual reposição por novos concursados pode criar uma lacuna crítica no atendimento às vítimas. 

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Além da formação técnica, o trabalho em unidades de acolhimento exige treinamento específico, preparo emocional e protocolos rigorosos de segurança. 

Casa da Mulher Brasileira também pode sofrer mudanças 

As discussões internas sobre remanejamento de servidores não estariam restritas à Casa Abrigo. Há relatos de estudos dentro da Secretaria da Mulher para retirada de profissionais também do núcleo de acolhimento da Casa da Mulher Brasileira (CMB), considerada uma das principais portas de entrada para vítimas de violência de gênero no DF. 

A possibilidade ampliou a preocupação entre trabalhadores da rede de proteção e movimentos ligados aos direitos das mulheres. 

Entidades da área avaliam que o enfraquecimento simultâneo de estruturas estratégicas pode afetar o atendimento justamente às vítimas em situação de maior risco. 

Cresce pressão sobre o governo 

A repercussão do caso aumentou a pressão sobre o GDF para rever a medida e garantir a manutenção integral das equipes da Casa Abrigo e demais equipamentos especializados. 

Servidores cobram transparência sobre os critérios utilizados para os remanejamentos e defendem que qualquer expansão da rede de atendimento venha acompanhada de reforço orçamentário e ampliação do quadro funcional, sem redução da capacidade operacional das unidades já existentes. 

Enquanto isso, mulheres atendidas pela rede de proteção e profissionais da assistência social demonstram preocupação com os impactos práticos da decisão em um contexto marcado pelo avanço da violência doméstica e pelos altos índices de feminicídio registrados no Distrito Federal. 

 

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