Ibaneis Rocha e Celina Leão gastam quase toda a receita do DF e deixam capital com a 4ª pior disponibilidade de caixa do país

publicidade

Um estudo do Observatório de Políticas Públicas do Distrito Federal, vinculado à Universidade de Brasília (UnB), acendeu um alerta sobre a situação fiscal do Distrito Federal. A gestão do governador Ibaneis Rocha e da vice Celina Leão praticamente consumiu toda a receita arrecadada nos últimos anos, comprometendo a capacidade de investimento e reação a crises. 

Segundo o relatório Análise Fiscal e Panorama das Finanças Públicas do Governo do Distrito Federal (2015–2024), essa dinâmica levou o DF a encerrar 2024 com a quarta pior disponibilidade de caixa líquida entre as 27 unidades da federação. Na prática, isso significa que sobra pouco, ou quase nada, de recursos livres após o pagamento das despesas obrigatórias. 

O diagnóstico central do estudo é direto: o problema do DF não está no tamanho da dívida, mas na forma como o dinheiro entra e sai do caixa. Ao longo da última década, e especialmente na atual gestão, quase toda a arrecadação foi absorvida pelo custeio da máquina pública, reduzindo drasticamente a margem para investimentos, políticas públicas estruturantes e formação de reservas financeiras. 

Esse cenário de “caixa no limite” ganha contornos ainda mais delicados em 2026, ano eleitoral e marcado por um déficit bilionário. De acordo com o coordenador do estudo, o cientista político Lucio Rennó, há uma tendência de aceleração de gastos no fim de mandato, o que pode agravar ainda mais o desequilíbrio fiscal. 

Leia Também:  DF abre semana com 888 oportunidades de emprego nas Agências do Trabalhador

“O governo entra no ano com capacidade de gasto bastante limitada, justamente quando há maior pressão por execução de obras e políticas”, avalia. 

Além do consumo quase integral da receita, o estudo aponta outros fatores que agravam a fragilidade fiscal: 

A explosão das chamadas Despesas de Exercícios Anteriores (DEA), uma espécie de “conta empurrada para frente”, que saltaram de R$ 180 milhões em 2019 para R$ 1,42 bilhão em 2025, indicando que o governo vem assumindo compromissos sem cobertura orçamentária imediata. 

A rigidez dos gastos com pessoal, que permanecem elevados e estáveis, consumindo grande parte da Receita Corrente Líquida. 

E a baixa capacidade de poupança corrente, superior a 95%, o que significa que quase tudo o que o DF arrecada é gasto com despesas correntes, sem gerar folga fiscal. 

O resultado dessa combinação é uma situação que limita o futuro: com nota C na Capacidade de Pagamento (Capag), o DF enfrenta restrições para contratar novos empréstimos com garantia da União, reduzindo ainda mais o espaço para investimentos. 

Leia Também:  Deputados federais acionam PGR e pedem bloqueio de bens de Ibaneis Rocha em meio a suspeitas no Caso BRB-Master

Mesmo com um orçamento robusto, estimado em R$ 74,4 bilhões para 2026, e forte dependência de repasses federais, como o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), a gestão não conseguiu construir reservas financeiras. Cerca de 40% das receitas do DF vêm desse fundo, o que evidencia uma dependência estrutural da União sem correspondente fortalecimento da autonomia fiscal local. 

Para o ObservaDF, o quadro é claro: ao gastar praticamente tudo o que arrecada, o governo compromete não apenas o presente, mas também a capacidade futura de resposta a crises econômicas, choques de arrecadação e demandas sociais crescentes. 

O risco, segundo o estudo, é que a combinação de caixa fragilizado, pressões políticas e incertezas econômicas acabe impactando diretamente a execução de políticas públicas e a percepção de gestão fiscal nos próximos anos. 

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide

publicidade

Previous slide
Next slide