Distrito Federal

Justiça impede uso da Serrinha do Paranoá em plano de socorro ao BRB e acirra crise entre GDF e oposição

Foto: Lúcia Mendes

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Decisão judicial trava plano bilionário de capitalização do BRB, amplia pressão ambiental e aprofunda embate político no DF

A tentativa do Governo do Distrito Federal (GDF) de utilizar imóveis públicos para reforçar o caixa do Banco de Brasília sofreu um forte revés judicial e abriu um novo capítulo de tensão política e ambiental na capital. Em decisão liminar proferida no domingo (22), o juiz Carlos Frederico Maroja proibiu qualquer اقدام de venda, oferta ou oneração da chamada Gleba A da Serrinha do Paranoá, considerada peça-chave no plano de capitalização do banco.

A decisão estabelece uma multa de R$ 500 milhões por eventual descumprimento, além de prever responsabilização por improbidade administrativa e crime de desobediência. Na fundamentação, o magistrado foi incisivo ao criticar o uso de uma área ambientalmente sensível para cobrir déficits financeiros, apontando risco de dilapidação do patrimônio público diante de uma crise que atribuiu à má gestão e a operações controversas envolvendo o Banco Master.

A ação popular que resultou na liminar foi movida por parlamentares e integrantes do Partido Verde, entre eles a senadora Leila Barros, que vêm questionando a legalidade e os impactos ambientais da proposta.

Do outro lado, o governador Ibaneis Rocha reagiu com críticas contundentes. Ele afirmou que o GDF irá recorrer da decisão e classificou as ações judiciais como “eleitoreiras”, acusando adversários de politizar um tema que, segundo ele, é essencial para a estabilidade financeira do banco público. O chefe do Executivo sustenta que não há nascentes na área e que o projeto de capitalização está em análise há anos.

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Área ambiental no centro do conflito

Avaliada em cerca de R$ 2,3 bilhões, a Serrinha do Paranoá é o principal ativo de um pacote de nove imóveis públicos que o governo pretende usar como garantia para operações financeiras e reforço de capital do BRB. A estratégia foi desenhada em meio a uma crise que teria gerado um rombo estimado em R$ 5 bilhões — valor superior ao patrimônio líquido da instituição.

Entretanto, a relevância ambiental da área tem mobilizado forte oposição. Especialistas e moradores afirmam que a região abriga mais de 100 nascentes e desempenha papel fundamental na preservação do Lago Paranoá e do bioma Cerrado, funcionando como corredor ecológico. A divergência entre laudos técnicos e relatos locais tornou-se um dos principais pontos de disputa no processo.

Nos últimos dias, manifestações populares reuniram centenas de pessoas em protestos contra a proposta, reforçando a pressão social sobre o governo. Ambientalistas acusam o GDF de priorizar interesses imobiliários em detrimento da preservação ambiental.

Impactos para o BRB e cenário de incerteza

A decisão judicial impõe um obstáculo direto à estratégia de reestruturação financeira do BRB, que já enfrenta dificuldades operacionais. Assembleias de acionistas foram canceladas, e o banco solicitou ao Banco Central do Brasil prazo adicional para apresentar seu balanço e um plano consistente para equacionar o déficit.

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Além da Serrinha, o pacote de ativos inclui terrenos no SIA, no Setor de Áreas Isoladas Norte (SAIN) e o Centro Administrativo de Taguatinga — todos agora sob maior escrutínio público e jurídico.

O caso evidencia um impasse complexo, em que interesses financeiros, ambientais e políticos se entrelaçam. De um lado, o governo busca soluções urgentes para evitar o agravamento da crise no banco estatal; de outro, cresce a resistência institucional e social à utilização de patrimônio ambiental estratégico como instrumento de salvamento econômico.

Com o anúncio de recurso por parte do GDF, a disputa deve se prolongar nos tribunais, mantendo em suspenso não apenas o futuro da Serrinha do Paranoá, mas também os rumos do próprio BRB e da política econômica do Distrito Federal.

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