Em tempos de aperto fiscal e desconfiança crescente nas instituições, causa perplexidade a condução estratégica do Banco de Brasília (BRB). Enquanto a instituição enfrenta questionamentos sobre sua saúde financeira, decisões recentes revelam uma prioridade que parece destoar do interesse público: investir pesado em ações de prestígio voltadas a uma parcela ínfima da população.
O caso mais emblemático é o patrocínio de uma sala VIP no Aeroporto Internacional de Brasília, ao custo de R$ 58,3 milhões em três anos. Trata-se de um espaço pensado para clientes de alta renda, um recorte social bastante específico, financiado, ainda que indiretamente, por um banco público. Em meio a uma conjuntura de fragilidade financeira, a escolha levanta uma pergunta inevitável: qual é o papel de um banco estatal? Servir ao coletivo ou reforçar privilégios?
A crítica ganha força quando se observa que esse não é um caso isolado. A renovação do contrato milionário com o Clube de Regatas Flamengo, estimada em R$ 42,6 milhões até 2027, reforça a percepção de que o BRB tem apostado em visibilidade e marketing em detrimento de solidez operacional. Embora parcerias esportivas possam trazer retorno de marca, o momento financeiro da instituição exige cautela, algo que parece ter sido relegado a segundo plano.
O deputado Ricardo Vale, ao acionar o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), vocaliza uma inquietação que ecoa entre especialistas e cidadãos: há coerência entre esses gastos e a realidade financeira do banco? Ou estamos diante de uma gestão que aposta na aparência de solidez enquanto enfrenta dificuldades estruturais?
O pano de fundo agrava ainda mais o cenário. A tentativa do governador Ibaneis Rocha de viabilizar um empréstimo de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos revela a dimensão da pressão sobre o caixa da instituição. Soma-se a isso a suspensão judicial de mecanismos que permitiriam o uso de bens públicos como garantia, um sinal claro de que o ambiente institucional também começa a reagir.
Diante desse quadro, o discurso de “fortalecimento de marca” perde força. Afinal, marca não se sustenta apenas com visibilidade, mas com credibilidade. E credibilidade, no caso de um banco público, está diretamente ligada à responsabilidade no uso dos recursos.
O que está em jogo não é apenas uma decisão de marketing, mas um princípio de governança. Em um contexto de possíveis fragilidades financeiras, cada real investido deveria ser justificado com rigor técnico e alinhamento ao interesse coletivo. Quando milhões são direcionados a iniciativas que beneficiam poucos, a percepção pública inevitavelmente se deteriora.
Mais do que uma crise financeira, o BRB parece enfrentar uma crise de prioridades. E, nesse caso, o verdadeiro custo pode não estar apenas nos contratos milionários, mas na erosão da confiança da população que, em última instância, é a legítima dona desse patrimônio público.




















