O Congresso Nacional ou parte dele, apesar de eleitos \ ‘escolhidos’ pelo povo, é formado por parlamentares, ditos conservadores e da extrema direita, que representam interesse ‘pouco republicano’, individuais ou familiares, em detrimento do coletivo social. Assim, vemos no presente momento, na continua ‘luta’ de deputados e senadores ligados ao chamado Bolsonarismo pela ‘tal anistia’, para beneficiar um. E, mesmo sendo rejeitada pela maioria dos brasileiros, querem salvar o ‘então líder’, Jair Bolsonaro, por anistia-lo.
A maioria dos brasileiros, 61%, não quer que seja dada a anistia, para qualquer um condenado por tentativas de golpear a Democracia no Brasil, que culminou com o fatídico 08 de janeiro de 2023. E ainda, se apoia o carcere de Bolsonaro, que está em prisão domiciliar a 40 dias, podendo ir a cadeia, após condenado pelos fatos a 27,3 anos de prisão, na última quinta-feira (11), em 4×1 votos da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal).
A rejeição direta à anistia para Jair Bolsonaro alcança 54% dos brasileiros, enquanto 7% se dizem indiferentes ou não souberam opinar a pesquisa do Datafolha realizado nos dias 8 e 9 de setembro. A pesquisa, foi feita dois dias antes da condenação do ex-presidente a prisão por tentativa de golpe de Estado. Assim, mais da metade é contra ou se omite diante da condenação histórica, perfazendo uma soma dos 61%.
O levantamento revela que ainda, 39% defendem o perdão, ao líder do levante, bem como às cerca de 1,5 mil pessoas, que foram processados após destruição das sedes dos três poderem em 2023 e pela tentativa de golpe. Assim, os dados mostram que, embora a maioria rejeite a anistia, há um núcleo resistente — e numeroso — que relativiza ou ignora o ataque à ordem democrática.
Parte ainda preocupante
Números divididos ou redistribuídos em relação à atual ou continua prisão de Bolsonaro, metade da população, 50%, apoia a medida para leva-los a cadeia. Mas, expressivos 43% se opõe a prisão. Em outras palavras: metade do país não defende ativamente a punição prisional do ex-presidente condenado por tentar subverter o regime democrático.
A aparente estabilidade nos números esconde uma fratura preocupante. Desde abril, a aprovação da prisão de Bolsonaro oscilou pouco — 52% em abril, 48% em julho e agora 50%. Mas a rejeição segue elevada. A percepção de impunidade caiu, oscilando de abril, 52% achavam que Bolsonaro escaparia da cadeia; em setembro, antes da sentença, esse número caiu para 40%, enquanto 50% acreditavam na efetivação da pena.
Ainda assim, 33% dos entrevistados defendem algum tipo de anistia aos golpistas, e o apoio à medida cresce em segmentos estratégicos do eleitorado. Entre os mais ricos, 50% são favoráveis ao perdão. No Norte e Centro-Oeste, o apoio atinge 48%, enquanto entre os evangélicos chega a 52%. No Sul, há praticamente um empate técnico: 46% a favor da anistia, contra 44% contrários.
Os números da pesquisa são especialmente significativos no atual contexto político. A sentença do STF, dada em 11 de setembro, reconheceu a tentativa de golpe como um atentado grave à democracia brasileira. A corte apontou que os ataques de 8 de janeiro de 2023 — quando bolsonaristas invadiram e depredaram as sedes dos três Poderes — foram a culminação de um plano golpista liderado por Bolsonaro e apoiadores.
Memória curta e risco recorrente
A situação revela que o bolsonarismo mantém base de apoio resiliente, inclusive entre setores que tradicionalmente defendem a ordem e a legalidade institucional. O Congresso Nacional, por sua vez, tem dado sinais ambíguos: projetos de anistia tramitam em ritmo lento, mas contam com respaldo de parlamentares ligados ao ex-presidente.
A relativização do golpe de 2023, se soma a um histórico recente de ataques às instituições democráticas. Em 2022, Bolsonaro já havia questionado, sem provas, a lisura das urnas eletrônicas. Nos anos anteriores, incentivou manifestações contra o STF e o Congresso, acumulando episódios de confronto institucional.
O julgamento dos golpistas de 8 de janeiro levou a 1.630 ações penais, das quais 683 resultaram em condenações. Ainda há 382 processos em curso. O Supremo tem sido firme, mas sofre resistência crescente de empresários, políticos e governadores alinhados à extrema direita, alguns dos quais prometeram publicamente conceder indulto a Bolsonaro caso ele seja preso.
Essa perspectiva não é só retórica: como alertou o jornal francês Le Monde, em editorial publicado após a condenação do ex-presidente, “a decisão é uma prova de maturidade para um país que esteve submetido ao arbítrio e à brutalidade de uma ditadura militar”. Mas o texto adverte: “O retorno à selvageria antidemocrática é um risco real se os defensores da democracia vacilarem”.
Democracia em compasso de espera
Em tese, ou ainda na realidade, a divisão revelada pelo Datafolha exige atenção. A justiça deu seu veredito, mas a opinião pública, apesar de numérica em mais de maioria, permanece parte fragmentada, pois há parte expressiva da sociedade — influenciada por desinformação, fé ideológica ou simples apatia — continua disposta a relativizar os crimes de Bolsonaro e de todos seus fãs, seguidores.
A história mostra que democracias não colapsam de uma vez só. Elas apodrecem lentamente, corroídas pela normalização do inaceitável. O cientista político Steven Levitsky, coautor de Como as Democracias Morrem, alerta: “O colapso democrático pode vir não de tanques nas ruas, mas do enfraquecimento gradual das normas e instituições”.
A pesquisa do Datafolha escancara essa erosão. A divisão não é apenas numérica — é moral e institucional. A condenação de Bolsonaro é um marco. Mas o destino da democracia brasileira dependerá menos da sentença e mais da vigilância permanente da sociedade.
Para piorar ….
…. A condenação de Bolsonaro tem futuro incerto apontam juristas.
A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro reacendeu a ofensiva política de aliados no Congresso e alimentou uma onda de incertezas sobre o futuro jurídico e político da sentença. Juristas ouvidos pela DW Brasil reconhecem a solidez do acórdão, mas alertam para fatores externos — como pressões políticas, composição futura da Corte e eventuais manobras legislativas — que podem reverter a condenação.
Antes mesmo da decisão do STF, parlamentares bolsonaristas já se mobilizavam para tentar anular seus efeitos. Propostas de anistia ampla para crimes contra a democracia desde 2019 foram apresentadas no Congresso.
Embora nenhuma tenha avançado, a possibilidade de votação voltou à pauta — inclusive com apoio explícito de setores da direita e articulações com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que elabora uma versão mais branda da proposta, apelidada de “anistia light”.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a afirmar que a bancada bolsonarista poderia obstruir os trabalhos legislativos caso a anistia não avance. Esse cenário se concretizou em agosto, quando parlamentares de oposição bloquearam votações em protesto à prisão domiciliar de Bolsonaro.
Ainda que um projeto seja aprovado, o caminho é longo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode vetá-lo, e o Congresso teria de derrubar o veto. Em última instância, o STF poderia ser novamente chamado a julgar a constitucionalidade da medida.
Para a professora Eloísa Machado, da FGV-SP, a jurisprudência da Corte já se mostrou contrária a perdões por crimes contra a ordem democrática, como no caso do indulto concedido por Bolsonaro ao ex-deputado Daniel Silveira, posteriormente anulado. “O tribunal já se manifestou pelo menos duas vezes sobre as limitações a esse tipo de medida, seja via indulto, graça ou anistia. Já existe jurisprudência contra isso”, afirma Machado.























