Palácio do Buriti

O silêncio de Ibaneis e as sombras do escândalo do Banco Master

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As revelações publicadas pela revista Veja lançam uma sombra espessa sobre o Palácio do Buriti e colocam o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), no centro de um dos episódios mais nebulosos da recente história financeira de Brasília. Embora ainda não figure formalmente como investigado, o governador passa a conviver com um cenário político e jurídico cada vez mais adverso  e difícil de explicar.

Segundo a reportagem, fontes próximas ao ministro Dias Toffoli indicam que Ibaneis teria acompanhado de perto a operação que envolveu a transferência de papéis sem valor do Banco Master para o BRB, uma transação posteriormente vetada pelo Banco Central. Se confirmado, não se trata de um detalhe menor, mas de um possível elo direto entre o comando político do DF e um esquema que a Polícia Federal apura como fraude ao sistema financeiro.

O problema central não é apenas jurídico é político e moral. Um governador não pode alegar ignorância quando documentos indicam que ele recebia informes regulares sobre uma negociação dessa magnitude. Caso se comprove que Ibaneis tinha conhecimento das irregularidades e nada fez para impedi-las, a omissão se torna tão grave quanto a ação.

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O novo depoimento do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, previsto para o início de fevereiro, tende a apertar ainda mais o cerco. A informação de que o ministro Dias Toffoli deixou um questionário “robusto” antes do recesso reforça a percepção de que o caso está longe de um desfecho confortável para os envolvidos. Nos bastidores do STF, segundo as fontes citadas, o clima não é de arquivamento  e isso diz muito.

Ibaneis Rocha, que sempre negou irregularidades, enfrenta agora um desafio que vai além das notas oficiais e das negativas protocolares. O silêncio prolongado e a ausência de explicações detalhadas apenas alimentam a desconfiança. Em democracias maduras, espera-se que líderes públicos sejam os primeiros interessados em esclarecer fatos — não os últimos a serem alcançados por eles.

Se o governador de fato “pode entrar na mira do STF”, como aponta a Veja, não será por perseguição política, mas pela gravidade dos indícios que se acumulam. O discurso de vítima perde força quando confrontado com documentos, depoimentos e a atuação de órgãos de controle como o Banco Central e a Polícia Federal.

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O escândalo do Banco Master promete ir além das páginas policiais e alcançar o coração do poder no Distrito Federal. Resta saber se Ibaneis Rocha optará pela transparência e pelo enfrentamento público das acusações ou se seguirá apostando que, mais uma vez, os peixes grandes escaparão da rede. Desta vez, ao que tudo indica, o mar está mais revolto  e os holofotes, mais próximos do que nunca.

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