Operação Spotless

Obras de empresa alvo da Operação Spotless são suspensas pela Prefeitura de Campo Grande

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Construtora Gomes e Azevedo é alvo de investigação que apura fraudes em licitações e esquema de corrupção em Terenos

A Prefeitura de Campo Grande determinou a paralisação de obras executadas pela empresa Gomes e Azevedo, uma das investigadas na Operação Spotless, deflagrada em setembro de 2025 no município de Terenos. A operação resultou em diversas prisões, incluindo a do prefeito da cidade, Henrique Budke (PSDB), apontado como líder do esquema criminoso.

As ordens de paralisação foram publicadas no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) desta sexta-feira (23). Segundo o documento, os serviços interrompidos envolvem obras em praças públicas da Capital, além de trabalhos de pavimentação asfáltica e drenagem de águas pluviais no bairro Ramez Tebet.

A Operação Spotless foi conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), que realizaram, no dia 9 de setembro de 2025, uma série de ações simultâneas em Terenos, Campo Grande e Santa Fé do Sul (SP). Ao todo, foram expedidos 16 mandados de prisão e 59 mandados de busca e apreensão.

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De acordo com o Ministério Público, Henrique Budke chefiava uma organização criminosa estruturada em núcleos com funções bem definidas. Servidores públicos e empresários atuavam na fraude de licitações, com editais elaborados sob medida para favorecer empresas previamente escolhidas. As investigações indicam que apenas no último ano os desvios ultrapassaram R$ 15 milhões.

O esquema também envolvia o pagamento de propina a agentes públicos, que atestavam falsamente o recebimento de produtos e serviços e aceleravam trâmites administrativos para viabilizar pagamentos indevidos de contratos.

A Operação Spotless teve origem a partir de provas reunidas na Operação Velatus, deflagrada em agosto de 2024. Com autorização judicial, Gaeco e Gecoc confirmaram a liderança de Budke no esquema de corrupção. O nome da operação faz referência à necessidade de processos de contratação pública livres de irregularidades e “manchas”.

A ação contou com apoio da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, por meio do Batalhão de Choque (BPChoque) e do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

Henrique Budke chegou a ser preso, mas foi solto ainda em setembro de 2025 após obter habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O afastamento do cargo, inicialmente voluntário, foi posteriormente referendado pelo Judiciário.

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Além do prefeito afastado, o MPMS denunciou outras 25 pessoas envolvidas no suposto esquema de corrupção. Segundo a denúncia, empresas se revezavam na execução de obras públicas para garantir a continuidade das fraudes e o pagamento de propina ao chefe do Executivo municipal e a outros integrantes do grupo.

“O que se apurou na investigação é uma organização criminosa instalada no Poder Executivo do Município de Terenos, atuando há anos para fraudar licitações e saquear os cofres públicos, um verdadeiro balcão de negócios comandado pelo prefeito municipal”, afirmou o procurador-geral de Justiça, Romão Ávila Milhan Júnior.

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