A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (25), a Operação Falsa Vantagem para desarticular um suposto esquema criminoso de influência em decisões judiciais mediante pagamento de propina. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão contra investigados apontados como integrantes da organização.
Entre os alvos da operação estão um advogado, bacharéis em Direito, um policial penal e uma servidora do Poder Judiciário. As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Cuiabá.
A ação é resultado de investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), que apuram a prática dos crimes de extorsão, exploração de prestígio, estelionato, corrupção e organização criminosa.
Promessa de anulação de pena
Segundo as investigações, os suspeitos teriam convencido familiares de um condenado de que possuíam influência dentro do Poder Judiciário e poderiam conseguir a anulação de uma condenação judicial.
Para viabilizar o suposto benefício, o grupo teria exigido o pagamento de R$ 150 mil em dinheiro vivo. Conforme a Polícia Civil, a exigência de pagamento em espécie teria sido uma estratégia para dificultar o rastreamento dos recursos.
No entanto, o resultado alcançado teria sido apenas a redução da pena imposta ao condenado, e não sua anulação completa, como prometido pelos investigados.
Cobrança por devolução do dinheiro
Após perceber que o acordo não havia produzido o resultado esperado, o beneficiário passou a exigir a devolução dos valores pagos. A situação chamou a atenção dos investigadores e contribuiu para o aprofundamento das apurações.
De acordo com a Polícia Civil, os mandados cumpridos nesta quinta-feira têm o objetivo de apreender celulares, computadores, documentos e outros materiais que possam auxiliar no esclarecimento dos fatos, além de identificar possíveis novos integrantes do esquema e eventuais vítimas.
Investigação busca dimensionar atuação do grupo
O delegado Marlon Luz, responsável pelo caso, informou que as diligências buscam esclarecer de que forma a organização atuava, há quanto tempo o grupo estaria operando e se outras negociações semelhantes ocorreram utilizando a mesma metodologia.
“As investigações visam compreender toda a dinâmica da suposta organização criminosa e identificar a participação individual de cada investigado”, destacou a Polícia Civil.
Origem do nome da operação
O nome Operação Falsa Vantagem faz referência à promessa de obtenção de decisões judiciais favoráveis mediante pagamento de dinheiro, criando nas vítimas a falsa expectativa de que haveria influência sobre atos e decisões do Poder Judiciário.
As investigações seguem em andamento para apurar a extensão do esquema, identificar novas vítimas e responsabilizar os envolvidos conforme o resultado das apurações.























