A marcha idealizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que começou como mais um ato performático da extrema-direita, rapidamente revelou sua verdadeira natureza: um espetáculo de oportunismo político em ano eleitoral. A partir do momento em que a iniciativa passou a viralizar nas redes bolsonaristas, outros parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro correram para dividir os holofotes não por convicção, mas por cálculo.
A caminhada de aproximadamente 250 quilômetros, iniciada em Paracatu (MG) com destino a Brasília, foi anunciada como um protesto em defesa de Jair Bolsonaro — hoje réu e preso e dos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Na prática, porém, o ato se converteu em uma vitrine eleitoral itinerante, onde cada passo parece pensado menos como manifestação política e mais como conteúdo para redes sociais.
Deputados, pré-candidatos e influenciadores políticos abandonam temporariamente os problemas reais de suas cidades saúde precária, transporte deficitário, desemprego, violência para correr, caminhar ou posar ao lado da marcha. O objetivo é claro: gravar vídeos, tirar fotos estratégicas e alimentar narrativas heroicas para seus seguidores, tentando capitalizar eleitoralmente em cima de um tema que mobiliza uma base radicalizada.
Analistas políticos são unânimes ao apontar que o movimento expõe, sem disfarces, o perfil de seus protagonistas. Em vez de apresentarem propostas concretas ou prestarem contas de seus mandatos, optam pelo atalho do engajamento fácil, explorando a polarização e o ressentimento como moeda política. A defesa de um ex-presidente envolvido em processos judiciais e de golpistas condenados vira bandeira, enquanto o interesse público fica em segundo plano.
A marcha, vendida como ato de resistência, escancara o uso recorrente do extremismo como estratégia eleitoral. Não se trata de caminhar por justiça, democracia ou melhorias sociais, mas de desfilar vaidades, disputar protagonismo e surfar na lógica algorítmica das redes sociais.
Em ano eleitoral, máscaras caem com mais facilidade. E o que se vê, mais uma vez, é a transformação de um país com problemas urgentes em cenário para performances políticas vazias onde o oportunismo caminha lado a lado com a irresponsabilidade.
























