Rede Municipal de Ensino

Prefeitura de Campo Grande é alvo de protestos após cortar gratificações de professores temporários

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Categoria se mobiliza contra decreto que retira bonificações por titulação; assembleia está marcada para segunda-feira na Fetems

Campo Grande amanheceu neste sábado (27) com protestos em frente à Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul). Cerca de 150 professores temporários da Reme (Rede Municipal de Ensino) se reuniram para manifestar repúdio ao Decreto nº 16.389, publicado na última quinta-feira (25) no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande). A medida revoga a concessão de gratificações por titulação — como especialização, mestrado e doutorado — a docentes contratados temporariamente.

Com cartazes que denunciavam “retrocessos” e o “sucateamento da educação”, os manifestantes cobraram a revogação imediata da medida e exigiram diálogo com a gestão municipal da prefeita Adriane Lopes (PP). A categoria também anunciou uma nova assembleia para a próxima segunda-feira (29), às 18h, na sede da Fetems, onde devem definir os rumos da mobilização.

Medida discrimina professores temporários

A justificativa apresentada pela prefeita Adriane Lopes — de que professores temporários “não têm carreira” e, portanto, não devem receber gratificações — foi duramente criticada por representantes sindicais, parlamentares e pelos próprios professores. A fala é considerada desrespeitosa e desvalorizadora, pois ignora o trabalho de milhares de profissionais que mantêm o funcionamento da educação municipal.

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“O que está sendo feito é uma política de precarização da educação pública. Ninguém escolhe ser temporário por gosto, mas porque o município não realiza concursos com regularidade. Estamos falando de profissionais com formação, que muitas vezes atuam anos na rede e agora são tratados como descartáveis”, afirmou o professor Leonardo Vicente Nardi, de 29 anos.

Falta de transparência e diálogo

Outro ponto criticado pelos manifestantes foi a ausência de transparência. Até o momento, a prefeitura não divulgou o suposto impacto financeiro da medida, nem apresentou estudo técnico que justifique a retirada das gratificações. A alegação de “contenção de gastos” é vista com desconfiança pela categoria, principalmente após recente repactuação salarial, realizada sob o argumento de falta de recursos.

“Se dias depois de renegociar salários vem um decreto que retira direitos, temos que questionar a real intenção dessa gestão. Por que isso não foi apresentado na assembleia anterior? Qual é o verdadeiro motivo?”, questionou o professor Washington Pagane.

Sindicato cobra diálogo e apresenta contraproposta

O presidente da ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública), Gilvano Bronzoni, informou que a entidade já entregou uma carta à prefeitura com pontos do decreto que considera inaceitáveis. A expectativa da categoria é de que, até segunda-feira, a gestão se manifeste formalmente. “Vamos sair da assembleia com uma agenda de mobilização. Nossa categoria está disposta a resistir a mais esse ataque. A educação merece respeito”, afirmou.

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Clima tenso e indignação crescente

Durante o protesto, um incidente envolvendo o uso do microfone gerou desconforto entre os presentes. Como no prédio da Fetems aconteciam aulas de um cursinho, o uso do equipamento de som não foi autorizado. A situação, embora contornada, demonstrou o nível de tensão entre os profissionais, que se sentem silenciados pela gestão municipal.

A vereadora Luiza Ribeiro (PT), presente no ato, cobrou mais responsabilidade da prefeita. “A decisão foi tomada de forma unilateral, sem diálogo com os professores e sem apresentar os números reais do impacto orçamentário. É inaceitável. Sem valorização docente, não há educação de qualidade. E isso é responsabilidade da prefeitura”, criticou.

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