A estratégia adotada pelo grupo governista em Mato Grosso do Sul para a disputa ao Senado começa a gerar mais dúvidas do que certezas. O silêncio de Reinaldo Azambuja (PL) diante da filiação do ex-capitão do Exército Contar ao partido e da sua possível candidatura à segunda vaga pode ter um custo alto: a perda de protagonismo e até o risco de terminar a eleição apenas em terceiro lugar.
Contar, que já foi adversário direto do grupo de Reinaldo, conseguiu convencer lideranças nacionais do PL, incluindo o presidente da sigla, Valdemar da Costa Neto, a aceitar sua filiação. A partir daí, passou a se colocar como postulante à segunda vaga ao Senado, movimento visto como arriscado e mal explicado por aliados do ex-governador.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que a aliança pode estar baseada em um acordo silencioso. A leitura feita por setores da direita é de que Contar teria espaço e estrutura no PL, mas evitaria se posicionar de forma clara no segundo voto ao Senado ou em relação à disputa pelo governo do Estado. Esse “silêncio estratégico”, porém, pode acabar fortalecendo Contar mais do que Reinaldo imagina.
Aliados do ex-governador demonstram preocupação com o crescimento do ex-rival. Com acesso a fundo partidário, tempo de propaganda e estrutura, Contar pode ganhar musculatura eleitoral rapidamente e, em um cenário extremo, até se tornar o mais votado da chapa, empurrando Reinaldo para uma posição desconfortável na reta final da campanha.
Além disso, a entrada de Contar tende a rachar o grupo. Lideranças que se consideram preteridas não escondem a insatisfação e já sinalizam que não aceitarão passivamente a escolha de um ex-adversário. Entre os nomes citados como possíveis dissidentes estão o senador Nelsinho Trad, o presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro, e a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira. Uma eventual candidatura de um desses nomes fora do arranjo principal pode fragmentar votos e enfraquecer diretamente Reinaldo.
Publicamente, o ex-governador tenta manter o controle da narrativa. Afirma que a segunda vaga ao Senado — considerando a primeira como sua — só será definida em março do próximo ano, após a análise de pesquisas, e que Contar não tem garantia alguma. Ainda assim, a percepção no meio político é de que o estrago já começou.
Se a estratégia não for revista e se Contar continuar crescendo sem amarras claras, Reinaldo Azambuja corre o risco de ver o jogo virar contra si. Em um cenário de divisão interna e fortalecimento de aliados-relâmpago, a possibilidade de terminar a disputa em terceiro lugar, antes tratada como improvável, passa a ser considerada com cada vez mais seriedade nos bastidores da política sul-mato-grossense.






















