Distrito Federal

TCDF abre investigação sobre caos no GDF Saúde e expõe falhas no Inas-DF

Foto: INAS-DF/Divulgação

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Apuração mira atrasos em atendimentos, rombo milionário e gestão fragilizada do plano de saúde dos servidores

O Tribunal de Contas do Distrito Federal instaurou um processo para investigar possíveis irregularidades na gestão do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do DF, responsável pelo plano GDF Saúde. A iniciativa atende a uma representação do Ministério Público de Contas do Distrito Federal, que aponta indícios de falhas graves na prestação dos serviços e no funcionamento administrativo do instituto.

Segundo a procuradora Cláudia Fernanda, há sinais de que o Inas-DF não possui estrutura adequada para atender à demanda crescente do plano. Um dos principais problemas identificados é o quadro de pessoal: cerca de 69% dos servidores ocupam cargos comissionados, contrariando determinações anteriores do TCDF para realização de concurso público e fortalecimento técnico da autarquia.

Colapso no atendimento e descredenciamento em massa

A investigação ocorre em meio a uma crise sem precedentes no atendimento aos beneficiários. Desde o início de 2026, aproximadamente 226 unidades de saúde, entre clínicas, hospitais e laboratórios, deixaram a rede credenciada, reduzindo drasticamente o acesso aos serviços.

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Relatos de usuários apontam um cenário de desassistência:

  • Esperas de até seis meses para autorização de cirurgias e exames sensíveis, como biópsias
  • Descontos retroativos elevados nos contracheques, gerando impacto financeiro inesperado
  • Falhas no sistema, com registros de procedimentos inexistentes e dados vinculados a terceiros
  • Suspensão de atendimentos por inadimplência, com dívidas que podem ultrapassar R$ 200 milhões junto a prestadores

Para entidades representativas, o quadro é ainda mais grave pelo fato de o plano ser financiado com descontos diretos na folha dos servidores, o que, em tese, garantiria previsibilidade financeira.

Mudanças na cúpula e tentativa de conter a crise

Diante da escalada de problemas, o governador Ibaneis Rocha determinou a exoneração de cinco integrantes do conselho de administração do Inas-DF, promovendo uma reformulação emergencial na gestão.

O governo atribui parte da crise a falhas na empresa responsável pela auditoria e processamento das faturas médicas. Segundo o Executivo local, já está em andamento a substituição da tecnologia utilizada, com a promessa de normalizar autorizações e pagamentos.

O Inas-DF também argumenta que o sistema não acompanhou o crescimento acelerado da demanda, que atualmente supera 104 mil beneficiários, fator que teria pressionado a capacidade operacional do plano.

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Pressão por transparência e responsabilização

O SindSaúde-DF classifica a situação como inaceitável e prepara um dossiê com denúncias detalhadas de negligência e falhas no atendimento. A entidade cobra transparência na gestão dos recursos e responsabilização dos gestores envolvidos.

Com a abertura do processo no TCDF, a crise do GDF Saúde entra em uma nova fase, agora sob escrutínio formal dos órgãos de controle. O desfecho pode resultar não apenas em recomendações administrativas, mas também em sanções e mudanças estruturais na gestão do plano.

Enquanto isso, milhares de servidores seguem enfrentando dificuldades para acessar serviços básicos de saúde, um cenário que transforma um direito essencial em fonte constante de incerteza.

 

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