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Violência sem freio: Mato Grosso bate recorde de feminicídios sob gestão Mauro Mendes

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Mato Grosso vive uma de suas páginas mais sombrias. Em 2025, o estado registrou 52 feminicídios, o maior número dos últimos cinco anos. Mulheres assassinadas por serem mulheres. Mortes anunciadas, previsíveis, evitáveis. Ainda assim, ignoradas. O saldo da violência é brutal: 87 crianças e adolescentes ficaram órfãos de mãe, empurrados para um futuro de traumas, abandono e vulnerabilidade social.

Os dados oficiais do Observatório Caliandra, do Ministério Público Estadual, não deixam margem para relativizações. O problema é estrutural, persistente e crescente. E, diante desse cenário, a pergunta é inevitável: onde está o governo Mauro Mendes enquanto mulheres morrem?

Discurso vazio, políticas ineficazes

O governo estadual repete discursos protocolares de “tolerância zero” à violência contra a mulher, mas os números desmentem a propaganda. Não há tolerância zero quando faltam casas-abrigo suficientes, quando delegacias especializadas funcionam de forma precária, quando medidas protetivas não são fiscalizadas e quando o orçamento para políticas de enfrentamento à violência de gênero é tratado como gasto secundário.

A escalada dos feminicídios revela a falência das políticas públicas do Estado. Não se trata de um fenômeno inevitável ou de “tragédias familiares”, como muitas vezes se tenta enquadrar. Trata-se de omissão governamental. Cada mulher assassinada carrega o peso de alertas ignorados, de denúncias não acompanhadas, de um sistema que falha repetidamente em proteger quem pede socorro.

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Prioridades distorcidas

Enquanto o governo Mauro Mendes se mostra ágil para defender ajustes fiscais, benefícios ao grande capital e discursos de eficiência administrativa, a vida das mulheres segue em segundo plano. Falta investimento contínuo em prevenção, educação, acolhimento psicológico, assistência social e políticas integradas entre segurança pública, saúde e justiça.

Não é aceitável que, em um estado que se gaba de crescimento econômico, mulheres continuem morrendo dentro de casa, muitas vezes assassinadas por companheiros já conhecidos do sistema policial. O Estado sabe quem mata. Sabe quem corre risco. E mesmo assim não age a tempo.

Crianças órfãs: o silêncio depois do crime

Os 87 órfãos de feminicídio em 2025 são a prova mais cruel do alcance dessa violência. O governo estadual pouco fala sobre essas crianças. Não há plano robusto de acompanhamento psicológico, assistência financeira ou garantia de direitos a longo prazo. O que sobra é o silêncio institucional após o enterro.

Essas crianças crescem marcadas pela violência e pela ausência do Estado — terreno fértil para a reprodução do mesmo ciclo que o governo diz combater, mas não enfrenta com seriedade.

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Responsabilidade tem nome

É impossível dissociar esse cenário da gestão Mauro Mendes. Governar é escolher prioridades. E os números mostram que a proteção à vida das mulheres não foi uma delas. Cada recorde quebrado em feminicídios é também um atestado de fracasso político e administrativo.

Mato Grosso não precisa de notas de pesar. Precisa de ação, investimento, cobrança interna e compromisso real. Enquanto o governo seguir tratando o feminicídio como estatística — e não como emergência — novas mulheres morrerão. E o sangue continuará manchando a conta de uma gestão que prefere olhar para outro lado.

 

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