A recente movimentação societária envolvendo a empresária Isabela Santos de Queiroz tem chamado a atenção de agentes do mercado e especialistas em governança corporativa. Até pouco tempo vinculada ao setor administrativo da Engeglobal empresa pertencente à família do deputado federal Fabinho Garcia Isabela passou a figurar como sócia-administradora da Bioverde Etanol Ltda., companhia criada em abril de 2023, em Cuiabá, com foco na produção de etanol, geração de energia e processamento de derivados do milho.
De acordo com registros empresariais, a Bioverde Etanol iniciou suas atividades com capital social declarado de R$ 1,28 milhão. O empreendimento surge em um momento de expansão do setor de biocombustíveis no Centro-Oeste, impulsionado pelo agronegócio e por políticas de incentivo à matriz energética renovável.
O que tem despertado maior atenção, no entanto, é a composição societária da empresa. Entre os investidores está o fundo 5M Capital FIP – Empresas Emergentes, estrutura financeira associada a Luís Antônio Taveira Mendes, filho do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes. Outro participante relevante é o América P.E. XII Fundo de Investimento em Participações, representado legalmente por Gustavo Dantas Falcin.
A presença de fundos de investimento de grande porte, alguns deles ligados a figuras públicas de destaque no cenário político estadual, tem ampliado o interesse sobre o perfil dos sócios e os critérios adotados para a formação do quadro societário da Bioverde. A trajetória de Isabela Queiroz, que passou de funções administrativas em empresas privadas para uma posição de sócia-administradora em um projeto de grande envergadura no setor energético, tem sido alvo de questionamentos no meio empresarial.
Especialistas em governança corporativa ouvidos pela reportagem ressaltam que situações desse tipo não são, por si só, irregulares, mas exigem elevado grau de transparência. Segundo eles, a divulgação clara de informações sobre a origem dos recursos, critérios de ingresso societário e estrutura de governança é fundamental para afastar dúvidas e preservar a credibilidade do empreendimento, especialmente quando envolve fundos ligados a agentes políticos.
Até o momento, não há registro de ilegalidade nas operações da Bioverde Etanol Ltda. A empresa segue regularmente constituída, e seus sócios constam nos cadastros oficiais. Ainda assim, o caso evidencia como a intersecção entre negócios privados, fundos de investimento e nomes ligados à política tende a atrair atenção redobrada de órgãos de controle, do mercado e da opinião pública.
























