O ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, fez duras críticas nesta quarta-feira (28) ao também ex-governador Mauro Mendes ao comentar o escândalo envolvendo a obra da MT-170, conhecida como caso do “asfalto farelo”, após o pavimento apresentar deterioração menos de um ano depois da conclusão.
Durante as declarações, Taques chegou a afirmar que Mauro Mendes deveria “dormir de botina”, em referência à possibilidade de prisão. “Fica dormindo de botina, porque você vai ser preso”, disparou o ex-governador.
Taques criticou a postura de Mauro Mendes ao minimizar o problema na rodovia estadual. Segundo ele, Mendes teria chamado de “probleminha” o desperdício de cerca de R$ 100 milhões na obra da MT-170, que apresentou falhas estruturais graves pouco tempo após a entrega.
“O nervosismo do ex-governador tem motivo: o rastro desse dinheiro leva direto ao seu círculo íntimo”, afirmou Taques.
O ex-governador também apontou o empresário e ex-senador Cidinho Santos como figura central por trás da construtora responsável pelas obras. “Quem está por trás da construtora do asfalto é Cidinho Santos. E Cidinho é Mauro Mendes, e Mauro Mendes é Cidinho”, declarou.
A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) reconheceu problemas na execução da obra e informou que os serviços realizados pelas empresas MT Sul e Agrimat “não atenderam o que estava previsto nos projetos”. A pasta confirmou ainda que abriu procedimento administrativo para rescindir os contratos das empresas responsáveis pela pavimentação da MT-170, antiga BR-174, na região noroeste de Mato Grosso.
As mesmas empresas aparecem em outro contrato milionário. A MT Sul venceu licitações que somam cerca de R$ 208 milhões, conduzidas pela MT PAR, estatal presidida por Wener Santos, irmão de Cidinho Santos, para a construção do novo autódromo do estado no Parque Novo Mato Grosso.
Pedro Taques também protocolou uma representação criminal e de improbidade administrativa na Procuradoria-Geral de Justiça de Mato Grosso. O documento aponta supostos indícios de corrupção, fraude em licitação e conflito de interesses nas obras do Autódromo Internacional do Parque Novo Mato Grosso durante a gestão Mauro Mendes.
Além da abertura de investigação, Taques e outros quatro advogados pedem o afastamento cautelar de Wener dos Santos da presidência da MT PAR.
Atualmente, Mauro Mendes preside a federação formada por PP e União Brasil em Mato Grosso. O grupo político tem Cidinho Santos como vice-presidente, enquanto Wener Santos atua como suplente do colegiado.




















