Operação da PF reacende questionamentos sobre atuação do GDF na tentativa de compra vetada pelo Banco Central
A deflagração da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, nesta terça-feira (18/11), provocou uma ofensiva imediata na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A investigação — que apura uma fraude de R$ 12 bilhões envolvendo emissão de títulos de crédito falsos e levou à prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro — impulsionou os deputados distritais a intensificarem o pedido de abertura de uma CPI para investigar a gestão do BRB.
Para a maior parte dos parlamentares que articulam a comissão, o episódio confirma a necessidade de apurar não apenas eventuais irregularidades dentro do banco estatal, mas todo o processo político que cercou a tentativa do Governo do Distrito Federal (GDF) de comprar uma fatia do Banco Master, operação vetada pelo Banco Central (BC).
Distritais afirmam que CPI é “urgente” e acusam governo de insistir em negócio arriscado
Logo após as primeiras ações da PF, a bancada do PT — Chico Vigilante, Gabriel Magno e Ricardo Vale — divulgou uma nota cobrando a imediata criação da CPI, afirmando que a “negociata” defendida pelo governo Ibaneis colocava o patrimônio do DF em risco.
Segundo os parlamentares, a aprovação da proposta de compra, feita às pressas pela CLDF em setembro, foi um “erro grave” que precisa ser investigado em profundidade, sobretudo porque o Banco Central já havia alertado sobre risco de sucessão e insuficiência patrimonial caso o BRB assumisse os passivos do Master.
Os petistas destacam que, ainda durante a tramitação do projeto, levaram o caso a diversas instâncias — Justiça, Ministério Público, CADE e Banco Central — e agora reforçam que a CPI é fundamental para esclarecer quem no GDF articulou, apoiou ou pressionou pela aprovação da operação.
Bloco pró-CPI cresce e mira diretamente o Governo do DF
Além do PT, os deputados Fábio Félix e Max Maciel (PSol) e Dayse Amarilio (PSB) anunciaram que assinarão o requerimento para a investigação. A deputada Paula Belmonte (Cidadania) também prepara um pedido próprio para investigar a atuação do BRB e o eventual envolvimento de integrantes do governo na tentativa de compra.
Com isso, o bloco pró-CPI cresceu de forma consistente nas últimas 24 horas. Agora, falta apenas uma assinatura para que a comissão seja instalada.
Parlamentares afirmam que, diante da prisão de Vorcaro, da operação na sede do BRB e do afastamento judicial do presidente do banco, Paulo Roberto Costa, não há mais como o Legislativo ignorar o caso. Nos bastidores, distritais dizem que a CPI deve investigar:
- A atuação do GDF na articulação da operação de compra;
- Possíveis pressões políticas para aprovação do projeto;
- A governança interna do BRB e quem autorizou as movimentações relacionadas ao Master;
- Eventuais responsabilidades administrativas e financeiras que poderiam recair sobre o DF.
Em conversas reservadas, parlamentares afirmam que há indícios de que o governo “forçou” a operação mesmo diante de alertas técnicos — ponto que será central na CPI.
CPI pode virar a maior crise política da gestão Ibaneis
A proposta de criação da CPI ganhou um novo peso após a PF apreender R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo na casa de um investigado e confirmar que a fraude envolvendo o Master pode ter movimentado R$ 12 bilhões. O BRB, como alvo de buscas, passou automaticamente a ser parte do cenário investigativo — e com ele, o governo Ibaneis, responsável pela indicação da diretoria do banco.
Caso instalada, a CPI poderá convocar dirigentes do BRB, integrantes da Secretaria de Economia e até figuras-chave do Palácio do Buriti envolvidas na articulação da compra.
O clima na CLDF é de iminente instalação da comissão, e aliados do governo já demonstram preocupação com o desgaste político. A CPI, se efetivada, pode se tornar a maior crise entre o governo Ibaneis e o Legislativo desde o início do mandato, abrindo uma frente de investigação que pode se expandir conforme os desdobramentos da Polícia Federal.
Para os distritais engajados na proposta, porém, trata-se de “um passo necessário” para proteger o patrimônio público e esclarecer por que o GDF apostou tanto em um negócio hoje ligado a uma das maiores investigações financeiras do país.





















