Contrato de R$ 950 mil sem licitação expõe contrastes entre luxo para autoridades e falta de estrutura ao público no Autódromo de Brasília
A contratação de um camarote de luxo por R$ 950 mil para a etapa da Stock Car em Brasília colocou o Governo do Distrito Federal (GDF) sob pressão e críticas. O espaço VIP, montado pela Secretaria de Turismo (Setur) para receber 300 convidados, foi contratado sem licitação junto à empresa Vicar Promoções Desportivas S.A., organizadora oficial da prova automobilística.
O contrato, válido para dois dias de evento — 29 e 30 de novembro —, garantiu ao governo um ambiente sofisticado com bebidas selecionadas, buffet livre e até serviço de massagem. A justificativa dada pela Setur foi a de que a Vicar teria “exclusividade” sobre a estrutura e serviços ligados à corrida, tornando inviável qualquer processo competitivo.
Luxo para poucos, desconforto para muitos
O contraste entre o conforto do espaço VIP financiado com dinheiro público e a realidade dos espectadores comuns gerou forte repercussão. Enquanto autoridades e convidados estratégicos desfrutavam de serviços premium, grande parte do público relatou falta de estrutura na área geral, com pessoas sentadas no gramado e na terra batida, sem sombra ou proteção das altas temperaturas.
A Setur justifica que o camarote tinha caráter institucional, voltado a receber autoridades e representantes do trade turístico, e que o ambiente seria estratégico para fortalecer parcerias, investimentos e ações de promoção de Brasília como destino.
Relatório técnico apontou riscos antes da contratação
Antes da assinatura do contrato, porém, um relatório técnico interno da Subsecretaria de Promoção e Marketing da Setur apontou riscos relevantes para o governo. Entre os alertas estavam:
- Possibilidade de questionamentos dos órgãos de controle, podendo resultar em prejuízo total do investimento e desgaste político.
- Ausência de clareza sobre o real benefício turístico ou institucional da ação.
- Dúvidas sobre a compatibilidade do preço, que poderia ser considerado injustificado diante da falta de parâmetros públicos.
Apesar das advertências, o contrato foi firmado. A Setur afirma que os apontamentos “foram sanados” durante a análise técnica e que a contratação seguiu todos os requisitos legais e administrativos. A pasta também defende que os valores estão dentro da média de mercado para eventos esportivos de porte nacional.
Mesmo assim, a contratação sem licitação por quase R$ 1 milhão somada às críticas sobre precariedade na experiência do público geral reacendeu debates sobre prioridades de gasto, transparência e eficiência no governo local. A polêmica deve continuar repercutindo nos órgãos de controle e no cenário político do DF nas próximas semanas.






















