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Mato Grosso bate recorde de feminicídios enquanto Mauro Mendes celebra “99,9% de proteção”: discurso distante da realidade

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Apesar do tom triunfalista adotado pelo governador Mauro Mendes (União Brasil), os números da violência contra a mulher em Mato Grosso expõem uma contradição gritante entre o discurso oficial e a realidade que atinge milhares de famílias no estado.

Durante o evento Laço Branco, nesta quarta-feira (10), Mendes afirmou que “99,9% das mulheres que acionaram o Poder Público foram protegidas”, destacando que mais de 17.100 medidas protetivas foram concedidas em 2025. Segundo ele, apenas sete mulheres sofreram consequências graves após procurarem ajuda.

A declaração, no entanto, ignora e até desrespeita — o cenário alarmante de feminicídios que se intensifica no estado. Mato Grosso já soma 48 feminicídios somente em 2025, número que supera todo o ano de 2024 (47 casos) e todos os últimos quatro anos, ficando atrás apenas de 2020, que registrou 62 mortes.

Em novembro, duas novas vítimas engrossaram a estatística: uma em Sinop e outra em Sapezal.

A matemática política não fecha

Quando Mauro Mendes afirma que 99,9% das mulheres estão protegidas, ele cria uma narrativa conveniente, mas profundamente frágil. O dado apresentado se restringe exclusivamente às mulheres que conseguiram acionar o Estado e obter uma medida protetiva  um recorte que exclui justamente as vítimas fatais que nunca chegaram a ser protegidas ou que não tiveram acesso eficiente ao sistema.

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Na prática, o governo tenta transformar um número administrativo em propaganda de eficiência, enquanto 48 mulheres já perderam a vida em 2025 simplesmente por serem mulheres.

Medida protetiva não é escudo mágico

O discurso do governador sugere que o Estado tem atuado de forma exemplar. Porém, a escalada de feminicídios conta outra história.

A frase “o Estado não mede esforços” soa ainda mais desconectada quando confrontada com a incapacidade do poder público em prevenir assassinatos brutais que acontecem apesar de denúncias, de pedidos de socorro e da sensação permanente de insegurança enfrentada por mulheres de todo o estado.

Feminicídio no topo há cinco anos

Segundo o Instituto Caliandra:

  • 2021: 43 feminicídios

  • 2022: 47

  • 2023: 46

  • 2024: 47

  • 2025: 48 (até novembro)

A curva não cai, e ainda assim o governo tenta vender a imagem de que está “protegendo” as mulheres.

Quando a comunicação vale mais que a vida

O problema não é divulgar números  é usar estatísticas para mascarar uma crise. O governo de Mauro Mendes prefere se autopromover a reconhecer falhas estruturais, falta de políticas contínuas de prevenção, carência de abrigos, demora em atendimentos e insuficiência de equipes especializadas.

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Enquanto o governador tenta reforçar sua narrativa de eficiência, famílias seguem enterrando mulheres mortas por violência de gênero.

Conclusão: a realidade desmente o discurso

A fala de Mauro Mendes pode até funcionar em eventos oficiais, mas não resiste à realidade dos fatos. A marca de 48 feminicídios em 2025 é um triste retrato da insuficiência das políticas atuais e evidencia que as mulheres de Mato Grosso estão longe de contar com a proteção que o governo insiste em anunciar.

Até que a gestão estadual reconheça o problema e abandone o discurso fantasioso, o número de vítimas continuará crescendo  e o Estado seguirá falhando naquilo que diz fazer com excelência: proteger a vida das mulheres.

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