Dinheiro Público

Paranaíba gasta quase R$ 1,4 milhão em shows enquanto cidade enfrenta desafios básicos

FOTO IA

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A Prefeitura de Paranaíba, a 393 quilômetros de Campo Grande, decidiu abrir o cofre público para bancar atrações musicais da 61ª Expopar (Exposição Agropecuária de Paranaíba). As contratações de shows, todas sem licitação, ultrapassam R$ 1,39 milhão, conforme publicações no Diário Oficial da Assomasul desta terça-feira (27).

Os valores chamam atenção  e revoltam — principalmente diante das conhecidas demandas do município em áreas essenciais como saúde, infraestrutura, educação e manutenção de serviços básicos. Mesmo assim, a gestão municipal optou por priorizar apresentações de artistas consagrados do sertanejo nacional.

Somente o cachê da dupla Maiara & Maraisa chega a R$ 754 mil, pagos à empresa Geminis Produções Artísticas LTDA. Já o show de Edson & Hudson custará R$ 450 mil, por meio da E&H Produções Artísticas LTDA. A programação ainda inclui apresentação do Country Beat, ao custo de R$ 190 mil. Somados, os contratos atingem R$ 1.394.000,00.

Outro ponto que levanta questionamentos é a inconsistência de datas divulgadas oficialmente. Enquanto o evento é anunciado para ocorrer entre 2 e 3 de setembro de 2026, há registros de shows marcados para 3 e 4 de julho, o que evidencia desorganização administrativa ou falhas graves na comunicação institucional.

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Embora a prefeitura alegue que o evento comemora os 169 anos de Paranaíba, em parceria com o Sindicato Rural, o gasto milionário reacende o debate sobre prioridades na aplicação do dinheiro público. Em tempos de restrição orçamentária, é legítimo questionar se a população realmente se beneficia de contratos artísticos tão elevados.

Especialistas em gestão pública destacam que contratações sem licitação, embora previstas em lei para artistas consagrados, não isentam o gestor do dever de economicidade e razoabilidade. O uso de recursos públicos deve atender ao interesse coletivo e não apenas ao entretenimento de poucos dias.

Enquanto isso, moradores seguem cobrando melhorias em postos de saúde, escolas, estradas e bairros que sofrem com abandono histórico. Para muitos, o recado é claro: há festa no palco, mas aperto fora dele.

A pergunta que fica é inevitável: Paranaíba pode  e deve  gastar quase R$ 1,4 milhão em shows enquanto faltam investimentos em áreas essenciais?

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