Relatório aponta peso do caso Banco Master, ligado a operações com o GDF, e cita fraudes no INSS como parte de um padrão estrutural
O relatório Retrospectiva 2025, divulgado nesta terça-feira (10) pela Transparência Internacional, atribui papel central à crise do Banco Master — desencadeada por transações financeiras envolvendo o Governo do Distrito Federal (GDF) — no agravamento da percepção internacional sobre o combate à corrupção no Brasil.
Segundo a entidade, o caso marcou uma virada no diagnóstico sobre o país ao expor falhas estruturais de governança, a proximidade entre agentes públicos e interesses privados e a fragilidade da supervisão estatal sobre instituições financeiras com forte relação com o poder público.
No Índice de Percepção da Corrupção (IPC), o Brasil permaneceu na 107ª posição entre 182 países, com 35 pontos, repetindo a segunda pior pontuação de sua série histórica. Para a Transparência Internacional, a estagnação deixou de ser interpretada como inércia institucional e passou a indicar regressão, especialmente após o colapso do Banco Master.
A Operação Compliance Zero, que investiga o banco, é classificada como a maior fraude bancária da história do país. O relatório destaca contratos milionários com escritórios ligados a autoridades públicas e suspeitas de interferência política em investigações, reforçadas pela quebra da criptografia do celular de Daniel Vorcaro, apontado como figura central do esquema.
A ONG também relaciona o caso às fraudes no INSS, investigadas pela Operação Sem Desconto, afirmando que ambos seguem um mesmo padrão de captura do Estado por redes ilícitas, com uso de estruturas públicas para viabilizar esquemas complexos.
Além disso, a Transparência Internacional alerta para o avanço da chamada captura orçamentária, citando o crescimento das emendas parlamentares, que devem ultrapassar R$ 60 bilhões em 2026, ampliando riscos de novos escândalos envolvendo recursos públicos.
Em resposta, a CGU contestou a metodologia do IPC, afirmando que o índice mede percepções. Ainda assim, a entidade sustenta que a crise do Banco Master, especialmente por sua origem em operações envolvendo o GDF, foi determinante para o endurecimento da avaliação internacional sobre o Brasil.
























