A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira, nova fase da Operação Rastro Cirúrgico e cumpriu mandado de prisão preventiva contra o ex-secretário municipal de Saúde de Selvíria, Edgar Barbosa dos Santos. Ele já havia sido afastado do cargo na primeira etapa da investigação, realizada no ano passado.
Segundo a PF, a nova fase foi desencadeada após a identificação de “vastas provas” que confirmariam a prática de crimes como fraude em licitações e contratos administrativos, peculato, corrupção ativa e passiva, frustração do caráter competitivo de licitação, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa.
De acordo com a corporação, as irregularidades envolviam o superfaturamento de contratos por meio de sobrepreço e sobrequantidade. As investigações apontam que médicos contratados teriam efetuado pagamento de propinas a servidores públicos com o objetivo de obter favorecimento indevido em procedimentos licitatórios e na celebração de contratos administrativos.
A Polícia Federal também identificou indícios de simulação de concorrência em processos licitatórios, com apresentação de propostas falsas para dar aparência de legalidade às contratações. Já o esquema de lavagem de dinheiro ocorreria por meio da utilização de “laranjas” e pessoas interpostas para ocultar patrimônio ilícito e movimentar recursos de origem criminosa. Parte dos valores teria sido remetida ao exterior por meio de câmbio ilegal, configurando evasão de divisas.
Conforme a investigação, os crimes teriam sido praticados por uma organização criminosa estruturada dentro do município. Em nota, a PF informou que representou pela prisão preventiva de três dos dez indiciados, em razão do papel central que exerciam no esquema e da permanência de indícios de vínculo associativo criminoso, além da ineficácia de medidas cautelares anteriormente impostas. No entanto, apenas a prisão do ex-secretário foi autorizada pela Justiça.
Na primeira fase da Operação Rastro Cirúrgico, deflagrada em 12 de agosto de 2025, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro, arresto e bloqueio de bens no valor de R$ 5 milhões para cada pessoa física e jurídica envolvida. As ações tiveram como objetivo interromper os desvios e garantir o ressarcimento de recursos públicos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Os investigados poderão responder pelos crimes de peculato, fraude em licitação, corrupção, frustração do caráter competitivo de licitação, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa.























