Socorro de R$ 6,6 bilhões ao Banco de Brasília gera impasse e alerta de colapso no DF.
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, foi à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) nesta segunda-feira (2/3) para defender a aprovação urgente do Projeto de Lei nº 2.175/2026, que autoriza um aporte de até R$ 6,6 bilhões na instituição. O banco enfrenta prejuízos decorrentes de operações envolvendo ativos de alto risco, conhecidos no mercado como “títulos podres”, ligados ao Banco Master.
A reunião foi marcada por um clima de tensão. De um lado, a direção do banco alertando para risco iminente de colapso operacional; de outro, deputados cobrando transparência e estudos técnicos mais robustos antes de liberar recursos públicos em escala bilionária.
Plano prevê uso de imóveis públicos como garantia
O projeto enviado pelo Governo do Distrito Federal autoriza a recomposição do capital social do BRB por meio da utilização de nove imóveis públicos como garantia para empréstimos ou para a constituição de um fundo imobiliário.
Entre os ativos citados estão a sede da Novacap e o Centro Administrativo de Brasília (Centrad), complexo que permanece sem uso há mais de uma década devido a entraves jurídicos e administrativos.
Segundo Nelson de Souza, a proposta não representa um “cheque em branco”. Ele argumenta que o plano de capitalização também inclui medidas internas, como a venda da subsidiária Financeira BRB, estimada em R$ 1,1 bilhão. O objetivo, afirma, é reforçar o caixa e evitar pressões externas por uma eventual privatização da instituição.
Alerta de paralisação de serviços públicos
Durante o encontro, o presidente do BRB elevou o tom ao afirmar que, sem a aprovação célere do projeto, o Distrito Federal poderá enfrentar uma “paralisia generalizada” de serviços.
Entre os riscos apontados estão:
- Interrupção do sistema de bilhetagem do transporte público;
- Suspensão do pagamento de programas sociais operados pelo banco;
- Paralisação de linhas de crédito destinadas a servidores públicos, produtores rurais e microempresas.
A fala foi recebida com desconfiança por parte da oposição. Alguns parlamentares classificaram o discurso como uma tentativa de pressionar a Casa a votar a matéria sem a devida análise técnica.
Parecer aponta “fragilidades técnicas”
A resistência ganhou força após parecer da Consultoria Legislativa da CLDF (Conlegis), que classificou o projeto como “tecnicamente frágil”. O documento aponta ausência de estimativas detalhadas de impacto orçamentário-financeiro e lacunas na demonstração de transparência fiscal.
O estudo também alerta para o risco de “dilapidação do patrimônio público”, já que o valor proposto de R$ 6,6 bilhões, ultrapassaria o limite anual de endividamento do Distrito Federal fixado pelo Senado.
Outro ponto levantado por deputados é a política recente de distribuição de dividendos do banco. Parlamentares questionam por que o BRB manteve a distribuição de 63% dos lucros a acionistas pouco antes de recorrer ao Tesouro local para um aporte bilionário.
Prazo crítico até o fim de março
Apesar da pressão do Executivo, deputados da base e da oposição indicaram que não devem votar o projeto de imediato. A expectativa é que a análise seja aprofundada ao longo da próxima semana, incluindo a avaliação de documentos encaminhados ao Banco Central.
O prazo considerado crítico é o fim de março, quando o BRB precisará publicar seu balanço financeiro e recompor indicadores de capital. Caso contrário, poderá ficar sujeito a medidas mais duras do Banco Central, como intervenção ou liquidação extrajudicial.
A crise coloca em xeque não apenas a saúde financeira do banco público, mas também a condução da política fiscal do Distrito Federal e promete intensificar o embate político nas próximas semanas.





















