O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Epaminondas Neto, conhecido como Papy (PSDB), voltou a defender mudanças no projeto do estacionamento rotativo da Capital e sugeriu que a cobrança de parquímetro seja ampliada para ruas consideradas corredores gastronômicos, como a Avenida Bom Pastor. A proposta, apresentada como forma de tornar a licitação mais atrativa para empresas, ocorre em meio a críticas sobre as prioridades da Câmara.
O estacionamento rotativo está suspenso em Campo Grande há mais de três anos e se tornou uma verdadeira novela administrativa. O projeto já passou por várias alterações, enfrentou idas e vindas na Câmara e chegou a ser retirado de pauta diversas vezes para ajustes. Mesmo após mudanças no modelo de concessão, a licitação mais recente terminou sem interessados.
Segundo Papy, um dos principais entraves para atrair empresas seria o tempo de concessão. A proposta atual prevê contrato de 12 anos, prazo aprovado pelos vereadores após redução em relação ao projeto original enviado pela prefeitura. Ainda assim, nenhuma empresa demonstrou interesse em operar o sistema.
Agora, o presidente da Câmara sugere novas mudanças, entre elas ampliar as áreas de cobrança, incluindo ruas com forte movimento de bares e restaurantes. A ideia seria aumentar a rentabilidade do sistema para tornar o contrato mais atrativo ao mercado.
Na prática, porém, a proposta abre espaço para novas taxas justamente em regiões que se consolidaram como polos de lazer e gastronomia da cidade, onde moradores e turistas buscam acesso fácil e gratuito às vagas de estacionamento.
Contradição política
A defesa de ampliar cobranças aos motoristas ocorre poucos dias após a Câmara aprovar um pacote de benefícios que pode chegar a R$ 38,5 milhões ao transporte coletivo operado pelo Consórcio Guaicurus.
O benefício inclui R$ 28 milhões em subsídios para custear gratuidades no passe e mais R$ 10,5 milhões em isenção de ISSQN, imposto que deixará de entrar nos cofres públicos do município.
A aprovação ocorreu mesmo diante de críticas recorrentes à qualidade do transporte coletivo na Capital, marcado por ônibus antigos, atrasos e reclamações frequentes de usuários.
A votação da isenção do imposto terminou com 20 votos favoráveis e oito contrários, exatamente o número mínimo necessário para aprovação.
Prioridades questionadas
A sequência de decisões escancara uma contradição na condução política da Câmara. De um lado, o Legislativo demonstra disposição para ampliar subsídios e benefícios fiscais a um consórcio empresarial que já opera um contrato bilionário com a prefeitura. De outro, discute novas formas de cobrança à população, como a ampliação do estacionamento pago em áreas de lazer da cidade.
Enquanto vereadores aprovam renúncia fiscal e subsídios milionários, a conta parece seguir na direção oposta para quem circula pela cidade: mais taxas, mais cobrança e menos explicações sobre a qualidade dos serviços públicos.
Nesse cenário, a proposta de Papy de levar parquímetros a corredores gastronômicos pode acabar simbolizando não apenas uma tentativa de viabilizar a licitação do estacionamento rotativo, mas também o retrato de uma gestão legislativa que, na visão de críticos, tem sido mais generosa com grandes contratos do que com o bolso do cidadão.






















