Marcelo Migiloli

Secretário que sonha com mandato precisa se livrar das marcas negativas que carrega em seu currículo

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(Pífio desempenho à frente de uma Pasta que não consegue tapar os buracos da cidade também vai pesar nas urnas)

Com os estigmas de traidor e rejeitado inscritos nas páginas negativas de seu currículo político, o secretário Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande (Seinfra), engenheiro Marcelo Miglioli, não desiste e está perseguindo obssessivamente a posse de um mandato eletivo. Para alcançar este objetivo, ele sabe que não pode contar com a sorte, porque são outras as credenciais a quem deseja ser ungido pelas urnas: a vontade soberana do eleitor e um conjunto básico de qualidades no exercício de responsabilidades na vida pública ou profissional.

No caso de Miglioli, a questão central nada tem a ver com sua aptidão profissional. O problema é outro e tem duas raízes principais: a sua atuação em cargos públicos e seu desempenho eleitoral, ambos os casos refletindo no comportamento e nas decisões pessoais. Uma dessas decisões imprimiu nele a marca da traição, a partir de 2018, no governo de Reinaldo Azambuja, quando chefiava a toda-poderosa Secretaria Estadual de Infrestrutura e fez da Pasta o escandaloso trampolim político para sua candidatura ao Senado.

Apesar do poderia financeiro, estrutural e político, Miglioli ficou em quarto lugar, com as duas vagas senatoriais conquistadas por Nelsinho Trad e Soraya Thronicke. Miglioli debitou a sua derrota nas contsa de Azambuja, afirmando falta de engajamento do governador. Em 2019, espumando de revolta, anunciou que mudaria de estado. O abandono durou só dois anos. Ao retornar, Miglioli tentou reatar as relações com o governador e ainda saiu cavucando apoios na esperança de retomar a chefia da Seinfra. Não colou.

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NOVA DERROTA – Após abandonar o PSDB – onde foi filiado pelas mãos de Azambuja -, o ex-secretário migrou para o Cidadania e em 2020 candidatou-se a prefeito de Campo Grande. Nova derrota. A mídia descreveu esse percurso. O site MSNotícias escreveu, no dia 29 de janeiro de 2021:

“Após as duas derrotas eleitorais – as primeiras que travou em sua vida pública – Miglioli fez de tudo para demonstrar que estava desgarrado e em linha oposta à das pessoas e forças políticas que apostaram em sua projeção, sobretudo o governador Reinaldo Azambuja e o PSDB. Mal terminou a eleição de 2018, rasgou a ficha de filiação ao partido, chutou sua curta história na gestão de Azambuja e mudou-se de Mato Grosso do Sul, atirando contra os ex-companheiros e responsabilizando-os pelo revés nas urnas”.

E o site completou assim: “O objetivo de Miglioli era mostrar que não tinha vínculos nem compromissos com os líderes e dirigentes atuais e que sua independência o credenciou a fazer profundas mudanças no modelo de gestão em Campo Grande. O discurso não colou (…), já que não poderia impedir o surto de desconfiança e dos incômodos carimbos que recebia, entre os quais os de traidor, desleal e ingrato. No governo e no PSDB era visto como alguém que vira o cocho ou cospe no prato em que comeu”.

URNAS IMPLACÁVEIS – O retorno de Miglioli à cena oficial da vida pública foi franqueado pela prefeita Adriane Lopes (PP), que o alçou a um dos núcleos mais fortes e importantes da gestão local, a Seinfra. Mas, pelos resultados, a decantada excelência técnica e profissional do secretário parece mais uma referência superestimada ou fantasiosa, tendo em vista os cenários já assustadores das vias urbanas de uma cidade sem a manutenção adequada, sob responsabilidade da Seinfra.

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E estes cenários serão levados em conta nas próximas eleições, assim como ocorreu nas disputas anteriores com a presença de Marcelo Miglioli entre os candidatos. Em 2018, com duas vagas para o Senado, ele ficou em quarto lugar, com 347.861 votos, atrás de Nelsinho Trad, Soraya Thronicke e Waldemir Moka. Na campanha, dizia-se que com o poder mastodôntico da pasta mais poderosa do Estado o ex-secretário tivesse em torno de 400 mil votos e garanbtiria uma das vagas.

Em 2020, na sucessão campograndense, o fiasco protagonizado por Miglioli – já em outra sigla, o Solidariedade – foi ainda mais retumbante. Entre 14 concorrentes, ele ficou em 9º, com minguados 7.899 votos (ou 1,90% do total). À sua frente, vários candidatos sem semelhante expressão política ou eleitoral, como Vinícius Siqueira, o 4º, com 34.066 votos (8,20% do total), e a 5ª, a Delegada Sidneía Tobias, com 19.103 votos (4,06%).

Não terá sido equivocado supor que, diante das circunstâncias criadas por estes números e posições nos espaços públicos, Miglioli seja instado a potencializar o cargo que ocupa na prefeitura para se beneficiar eleitoralmente – isto, desde que se lance de fato à aventura de mais uma vez concorrer a um cargo eletivo. Este desejo não é segredo algum e direito assegurado pela Constituição e pela democracia. Mas a Constituição e a democracia também impõem limites para que a sociedade se precavenha contra os aventureiros e oportunistas instalados no universo político.

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