Enquanto o GDF articula bilhões em patrimônio público e mobiliza sua base política para salvar o BRB de um colapso financeiro, o Distrito Federal registra um salto de 21,1% nos feminicídios, expondo o abismo entre a prioridade dada ao socorro bancário e a omissão estatal no investimento em políticas públicas de proteção às mulheres.
Enquanto o Governo do Distrito Federal (GDF) tenta vender a imagem de uma capital segura, a realidade nas ruas e dentro dos lares brasilenses conta uma história de terror e abandono estatal. O Distrito Federal registrou um salto alarmante de 21,1% no número de feminicídios em 2025, com 28 mulheres assassinadas, superando a média nacional de letalidade de gênero. Em 2026, o cenário não arrefece: apenas no primeiro mês, três casos já haviam sido contabilizados, incluindo crimes bárbaros como o de Luana Moreira Marques, cujo corpo foi levado pelo próprio assassino até a delegacia de Planaltina.
A falácia da proteção e medidas que não protegem. A propaganda oficial destaca o uso de tecnologia e monitoramento, mas os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam uma fragilidade sistêmica. No DF, a efetividade das medidas protetivas é de uma insignificância assustadora: apenas 4,3% das vítimas de feminicídio em 2024 possuíam uma medida protetiva vigente no momento do crime. Enquanto em outros estados essa taxa de amparo judicial chega a ser cinco vezes maior, a capital da República amarga índices que comprovam falhas graves na articulação entre o Judiciário e as forças de segurança.
O sistema parece desenhado para falhar. Das sete mulheres que chegaram a solicitar proteção antes de serem mortas no DF, três tiveram a decisão revogada e duas sequer viram o agressor ser intimado. Além disso, a capital está no topo do ranking de denegação de pedidos, com 15,7% das medidas protetivas negadas em 2025, deixando mais de 3.300 mulheres expostas ao risco sem qualquer salvaguarda.
Celina Leão: Silêncio e Omissão sob o Manto da Candidatura
No centro desta crise está a vice-governadora Celina Leão. Embora utilize sua posição e o fato de ser mulher para promover programas como o “Mulher Mais Segura” e o “Viva Flor”, as críticas sobre sua gestão crescem na mesma proporção que os índices de violência. Militantes e movimentos sociais que ocuparam as ruas em março de 2026 denunciam que a retórica da vice-governadora, pré-candidata declarada ao próximo pleito, não se traduz em orçamento real para políticas públicas.
A denúncia é clara: enquanto Celina Leão posa para fotos e anuncia pesquisas sobre o perfil dos agressores, o dinheiro público tem sido drenado por emendas parlamentares e na salvação do caso BRB/MASTER, esvaziando a capacidade de investimento em campanhas educativas, capacitação de profissionais e ampliação de delegacias. Atualmente, o DF conta com apenas duas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), número considerado insuficiente para uma população que registra ocorrências de violência doméstica a cada 90 minutos.
A falta de equipes especializadas e a baixa capilaridade dos serviços de acolhimento empurram as mulheres para a chamada “rota crítica” da violência. Sem o monitoramento ativo dos agressores e com a falta de tornozeleiras eletrônicas em larga escala, o GDF assiste passivamente à escalada do abuso psicológico até o desfecho fatal.
Especialistas apontam que a violência institucional é o braço invisível que mata no DF. Quando o Estado nega proteção a 15% das solicitantes ou falha em intimar agressores, ele se torna cúmplice do silenciamento das vítimas. A política de Celina Leão e Ibaneis Rocha parece mais focada em gerir estatísticas do que em preservar vidas, priorizando o retorno político imediato em detrimento de uma rede de proteção humana e eficiente.
Para as mulheres do Distrito Federal, a mensagem que emana do Palácio do Buriti é de que a sua segurança é apenas uma peça de propaganda eleitoral. Enquanto a vice-governadora prepara seu próximo passo político, o grito das ruas continua o mesmo: “Parem de nos matar”.






















