Fazendas surgem “da noite para o dia” no coração do Pantanal sul-mato-grossense. Áreas antes preservadas passam rapidamente a ser transformadas em pastagens e, em muitos casos, são ostentadas nas redes sociais como símbolo de expansão agropecuária. Por trás desse cenário, a Polícia Federal identificou indícios de um esquema de fraudes em sistemas federais para “esquentar” a grilagem de terras.
A chamada Operação Terra Forjada foi deflagrada com o objetivo de frear a atuação de um grupo suspeito de devastar áreas do bioma pantaneiro por meio da manipulação de dados fundiários e ambientais. Segundo as investigações, autorizações irregulares e registros inconsistentes teriam sido usados para legitimar ocupações em terras públicas e também em propriedades privadas regularmente constituídas.
As apurações tiveram início na Base Quadrante, em Corumbá, unidade implantada durante o período de seca extrema e incêndios devastadores registrados em 2024. A partir daí, a Polícia Federal identificou a manipulação de informações nos sistemas oficiais de controle fundiário e ambiental, incluindo o Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF) e o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SICAR).
De acordo com a PF, o objetivo era simular domínio ou posse sobre áreas rurais, criando uma aparência de regularidade documental. Também foram detectados indícios de fraudes relacionadas à reserva legal, com inserção de dados inconsistentes para dar aparência de conformidade ambiental.
As investigações apontam ainda que um responsável técnico por georreferenciamento teria inserido dados falsos nos sistemas oficiais. Entre as irregularidades, estaria o uso indevido de código do Sistema Nacional de Cadastro Rural (SNCR) vinculado a imóvel distinto, o que teria viabilizado tentativa de apropriação de terras públicas e sobreposição indevida sobre áreas particulares.
O nome da operação, Terra Forjada, faz referência ao próprio método utilizado para identificar as irregularidades. Por meio do georreferenciamento de imagens, os investigadores conseguiram detectar a sobreposição espacial de áreas, elemento considerado central para o esclarecimento do esquema.
Enquanto as investigações avançam, o caso levanta questionamentos sobre a fiscalização e a velocidade com que áreas naturais vêm sendo convertidas em pastagens no Pantanal. A expansão irregular, além de potencialmente criminosa, agrava a pressão ambiental sobre um dos biomas mais sensíveis do país.





















