A autorização para que o Banco de Brasília (BRB) comprasse o Banco Master, aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) em 19 de agosto de 2025, é hoje vista como o ponto de partida de um dos episódios mais controversos da história financeira da capital. A operação, estimada em bilhões, foi liberada em um processo acelerado, com pouca transparência e forte condução política do Executivo local.
O projeto enviado pelo então governador Ibaneis Rocha tramitou em apenas cinco dias, tempo considerado incompatível com a complexidade e os riscos de uma negociação envolvendo um banco público. Com apoio direto da vice-governadora Celina Leão, o governo mobilizou sua base e garantiu a aprovação em dois turnos, evidenciando o peso da influência do Palácio do Buriti sobre o Legislativo.
Durante a tramitação, a oposição denunciou a fragilidade das informações apresentadas. O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, levou ao debate dados considerados genéricos, sem detalhamento suficiente para justificar uma operação de alto impacto financeiro. Ainda assim, o projeto avançou com rapidez incomum e foi aprovado por 15 votos a 7 no primeiro turno e 14 a 7 no segundo.
Foram esses os deputados distritais que abriram caminho para a operação ao votar “sim” no plenário:
- Doutora Jane (MDB)
- Eduardo Pedrosa (União Brasil)
- Hermeto (MDB), Iolando (MDB)
- Jaqueline Silva (MDB)
- João Cardoso (PL)
- Jorge Vianna (PSD)
- Martins Machado (Republicanos)
- Pastor Daniel de Castro (PP)
- Pepa (PP), Robério Negreiros (PSD)
- Rogério Morro da Cruz (PRD)
- Roosevelt Vilela (PL)
- Thiago Manzoni (PL), que votou favoravelmente no primeiro turno
- Wellington Luiz (MDB)
A base governista tratou a operação como uma estratégia de expansão do BRB. Já parlamentares contrários alertaram, desde o início, para o risco de o banco público assumir ativos problemáticos e comprometer recursos da população. As críticas foram ignoradas.
Com os desdobramentos posteriores, incluindo investigações, afastamentos e o aprofundamento da crise institucional, a decisão da CLDF passou a ser vista como um erro político de grandes proporções. O que foi aprovado como “oportunidade de mercado” acabou se transformando em um caso emblemático de falta de prudência, governança questionável e possível uso político de uma instituição financeira pública.
A votação de agosto de 2025, mais do que um ato legislativo, tornou-se um símbolo da fragilidade dos mecanismos de controle diante da força política do Executivo. E os nomes dos deputados que votaram a favor permanecem como registro direto de quem, no plenário, abriu as portas para um dos episódios mais delicados envolvendo dinheiro público no Distrito Federal.





















