O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) prorrogou por mais 90 dias o monitoramento eletrônico do vereador de Terenos Arnaldo Glaglau, investigado por envolvimento em um suposto esquema de corrupção na prefeitura do município. A decisão também mantém o uso de tornozeleira eletrônica pelos empresários Rinaldo Córdoba de Oliveira e Rogério Luís Ribeiro até o dia 20 de agosto.
O despacho foi assinado pelo desembargador Jairo Roberto de Quadros, da Seção Especial Criminal do TJMS, e publicado na edição desta segunda-feira (18) do Diário da Justiça Eletrônico. Na decisão, o magistrado reforçou que qualquer descumprimento das medidas cautelares poderá resultar na decretação de prisão preventiva dos investigados.
Arnaldo Glaglau segue afastado do cargo de vereador desde a deflagração da Operação Spotless, realizada em setembro de 2025 pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção).
Operação revelou suposto esquema milionário na Prefeitura de Terenos
A Operação Spotless foi desencadeada em 9 de setembro de 2025 e teve como alvo um suposto esquema de corrupção instalado na Prefeitura de Terenos. Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão e 59 mandados de busca e apreensão em Terenos, Campo Grande e Santa Fé do Sul (SP).
Segundo as investigações, o prefeito afastado Henrique Budke, do PSDB, é apontado como líder da organização criminosa. O Ministério Público sustenta que havia divisão de tarefas entre empresários, servidores públicos e agentes políticos para fraudar licitações e direcionar contratos públicos.
As apurações indicam que editais eram elaborados sob medida para favorecer empresas previamente escolhidas, simulando concorrência legal. Apenas no último ano investigado, os contratos suspeitos teriam ultrapassado R$ 15 milhões.
O esquema também envolveria pagamento de propina a agentes públicos, além de falsos atestados de recebimento de produtos e serviços para acelerar pagamentos dentro da administração municipal.
Investigações tiveram origem em operação anterior
A Spotless nasceu a partir das provas colhidas na Operação Velatus, realizada em agosto de 2024. Com autorização judicial, Gaeco e Gecoc aprofundaram as investigações e concluíram que Henrique Budke exercia papel central no esquema.
O nome da operação faz referência à necessidade de que processos de contratação pública ocorram “sem manchas”, em respeito aos princípios da legalidade e transparência administrativa.
A ofensiva contou ainda com apoio da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, por meio do BPChoque e do Bope.
Prefeito e outros 25 investigados viraram réus
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou Henrique Budke e outras 25 pessoas por participação no suposto esquema criminoso. Conforme a denúncia, empresas se revezavam em licitações de obras públicas para garantir contratos e manter o fluxo de propina destinado ao grupo investigado.
Ao apresentar a denúncia, o procurador-geral de Justiça Romão Ávila Milhan Júnior afirmou que a organização criminosa estaria instalada há anos dentro do Executivo municipal.
“O que se apurou na investigação é uma organização criminosa instalada no Poder Executivo do Município de Terenos, atuando há anos para fraudar licitações e saquear os cofres públicos, um verdadeiro balcão de negócios comandado pelo prefeito municipal”, declarou.
Os denunciados se tornaram réus em outubro de 2025.






















