“Vira CG Saúde”

Com verba federal, Adriane anuncia R$ 60 milhões para mutirão de cirurgias em Campo Grande

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A prefeita de Adriane Lopes anunciou nesta segunda-feira (25) um pacote de mais de R$ 60 milhões em recursos federais para acelerar cirurgias, exames e procedimentos represados na rede pública de saúde de Campo Grande. A ação foi lançada durante o programa “Vira CG Saúde” e promete realizar cerca de 24 mil atendimentos.

Segundo a administração municipal, o objetivo é reduzir entre 60% e 70% da demanda reprimida de pacientes que aguardam há mais de um ano por cirurgias e exames especializados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Nos comprometemos a buscar o final das filas de espera. Estamos aqui com o Vira CG Saúde, que é uma virada nessa área, onde teremos o dia D das cirurgias, procedimentos e exames nos hospitais conveniados. Serão mais de 24 mil procedimentos realizados, um investimento de 60 milhões da bancada federal”, afirmou Adriane durante o lançamento.

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, a estratégia envolve hospitais e instituições conveniadas que irão absorver parte da demanda acumulada da Capital.

Entre as unidades citadas estão o Hospital São Julião, Hospital do Pênfigo, a Maternidade Cândido Mariano e a Funcraft.

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“São vários da nossa rede contratualizada. A gente pactua isso dentro de um plano de trabalho com o Ministério da Saúde para que essa virada na saúde aconteça a partir de agora”, declarou Marcelo Vilela.

Saúde de Campo Grande segue na mira do MP

O anúncio do novo mutirão ocorre em meio a uma crise financeira na saúde pública da Capital, que já é alvo de investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

Recentemente, o Conselho Municipal de Saúde reprovou a prestação de contas do Fundo Municipal de Saúde referente ao exercício de 2024, levantando suspeitas sobre ajustes financeiros de aproximadamente R$ 156 milhões.

Após a reprovação das contas, a 76ª Promotoria de Justiça instaurou procedimento administrativo para investigar um passivo milionário na saúde de Campo Grande, que ultrapassaria R$ 197 milhões.

As investigações também apontam risco de desabastecimento nas unidades de saúde devido ao atraso no pagamento de fornecedores. Empresas contratadas pela prefeitura relataram ao Ministério Público dificuldades para receber pelos serviços prestados, incluindo fornecimento de medicamentos e insumos hospitalares.

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Há casos de fornecedores que estariam há mais de 500 dias sem receber, situação que aumenta o risco de interrupção no abastecimento da rede municipal.

Outro ponto sob investigação envolve suplementações milionárias destinadas ao pagamento de despesas de exercícios anteriores, tema que também está sendo acompanhado pelo Tribunal de Contas da União e pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde.

Conselho apontou “anomalias” nas contas

Ainda em dezembro de 2025, o Conselho Municipal de Saúde já havia identificado possíveis irregularidades nas contas da saúde municipal e solicitado auditorias aos órgãos de controle.

Entre os apontamentos, o conselho destacou a retirada de quase R$ 30 milhões da conta do Fundo Municipal de Saúde em um intervalo de cerca de 60 dias. O saldo teria caído de aproximadamente R$ 35 milhões para R$ 9 milhões.

Outra suposta irregularidade apontada foi a abertura de uma nova conta bancária sem comunicação oficial ao conselho ou publicação de ato administrativo formal por parte da prefeitura.

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