A crise financeira envolvendo o Banco de Brasília (BRB) provocou mais um revés político para o Governo do Distrito Federal (GDF). A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) adiou a votação do Projeto de Lei nº 2361/2026, que autoriza a contratação de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para socorrer a instituição financeira. A falta de consenso entre os parlamentares e a resistência da própria base governista impediram a análise da proposta em plenário.
O projeto foi encaminhado pela governadora Celina Leão (PP) em regime de urgência e integra o acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a liquidez do BRB após os impactos das operações realizadas com o Banco Master. Apesar da pressão do Palácio do Buriti, o governo não conseguiu reunir apoio suficiente para avançar com a votação.
Base aliada demonstra desconforto
O adiamento evidenciou o desgaste político provocado pela crise do BRB. Deputados da própria base governista manifestaram preocupação com a falta de informações detalhadas sobre a operação e cobraram mais transparência antes de autorizar um novo aporte bilionário.
Parlamentares argumentaram que já haviam aprovado medidas relacionadas ao banco anteriormente e agora enfrentam questionamentos da população sobre a necessidade de novos recursos públicos para evitar um colapso financeiro da instituição. Nos bastidores, o temor é de que a aprovação sem esclarecimentos amplie o desgaste político da gestão Celina Leão.
O secretário de Economia, Valdivino Oliveira, compareceu à Câmara para defender a proposta e garantir que o aporte é fundamental para preservar a estabilidade do banco. Mesmo assim, os argumentos apresentados não foram suficientes para convencer parte dos deputados.
Empréstimo pode comprometer finanças do DF
Além das dúvidas sobre a situação financeira do BRB, parlamentares questionaram o impacto da operação sobre as contas públicas do Distrito Federal. O projeto prevê que o GDF ofereça como garantia receitas dos fundos de participação, vinculando recursos públicos ao pagamento da dívida.
Outro ponto que gerou críticas foi a ausência de informações detalhadas sobre os juros e o custo total da operação. Deputados da oposição alertaram que o valor final da dívida pode ser significativamente superior aos R$ 6,6 bilhões inicialmente previstos, ampliando o comprometimento financeiro do DF nos próximos anos.
Acordo impõe restrições ao funcionalismo
O empréstimo também está associado a uma série de contrapartidas previstas no acordo firmado com o STF. Entre elas, estão limitações para a concessão de reajustes salariais, criação de cargos e realização de concursos públicos, restrições que podem permanecer por até 15 anos ou até que o Distrito Federal alcance melhores indicadores fiscais.
A possibilidade de congelamento prolongado de despesas com pessoal tem gerado preocupação entre servidores públicos e entidades representativas, que veem o acordo como uma transferência dos custos da crise do BRB para o funcionalismo.
Governo tenta evitar derrota política
O adiamento da votação representa uma derrota momentânea para o Palácio do Buriti e revela dificuldades crescentes na articulação política do governo dentro da CLDF. A expectativa agora é que o Executivo intensifique as negociações nos próximos dias para tentar construir maioria e aprovar a proposta na próxima semana.
Enquanto isso, a crise do BRB continua no centro do debate político do Distrito Federal, levantando questionamentos sobre a condução das operações que levaram à necessidade de um socorro bilionário e sobre o impacto que a solução encontrada poderá ter nas finanças públicas e nos serviços prestados à população.




















