MATO GROSSO

Delações apontam que deputado Juarez Costa recebeu R$ 30 milhões e BMW para favorecer empresa de saneamento em MT

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Cinco ex-executivos da Aegea relataram ao Ministério Público pagamentos ilícitos ao então prefeito de Sinop; parlamentar não comentou as acusações.

O deputado federal Juarez Costa (Republicanos-MT) é citado em acordos de colaboração premiada firmados por cinco ex-executivos da Aegea, empresa líder do setor privado de saneamento básico no país, como beneficiário de cerca de R$ 30 milhões em propinas e de uma BMW, em troca de favorecimento à companhia durante sua gestão como prefeito de Sinop (MT), entre 2009 e 2016.

Os depoimentos foram prestados entre 2020 e 2021 ao Ministério Público e tiveram homologação em 2025 pelo ministro Raul Araújo, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os documentos foram obtidos pelo portal Metrópoles.

Segundo o ex-presidente da Aegea, Hamilton Amadeo, os pagamentos foram autorizados ao longo de vários anos e teriam como objetivo quitar dívidas de campanha de Juarez Costa. O executivo afirmou ainda que, em 2014, o então prefeito teria solicitado uma BMW como parte dos repasses ilícitos. Em contrapartida, teria promovido mudanças em normas e leis municipais que favoreceram a atuação da empresa.

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O ex-diretor financeiro da companhia, Flávio Crivellari, confirmou a compra do veículo, que custou R$ 330 mil na época, e disse que a operação foi intermediada pelo consultor Eduardo Valdívia.

Outros três ex-dirigentes da Aegea — Felipe Bueno Marcondes Ferraz, Mário Roberto Amorim Baltar e Fernanda Bassanesi — também mencionaram Juarez Costa como destinatário de pagamentos indevidos.

De acordo com Felipe Ferraz, a partir de 2015 ele passou a operar o chamado “caixa 2” do então prefeito. O ex-executivo relatou que emissários ligados a Costa retiravam dinheiro em espécie em São Paulo e que também houve entregas em Cuiabá e em Balneário Camboriú (SC). Em uma dessas ocasiões, segundo o depoimento, foram repassados R$ 1,2 milhão.

Ferraz ainda afirmou que a construtora RJD Construções recebia contratos com sobrepreço de 20%, percentual que, segundo ele, abasteceria o esquema de pagamentos. Pelos cálculos apresentados pelo ex-dirigente, cerca de R$ 4,7 milhões teriam sido destinados ao ex-prefeito por meio desse mecanismo.

Já o ex-responsável comercial da empresa, Mário Baltar, declarou que era interlocutor direto de Juarez Costa em Sinop e que, entre 2013 e 2014, recebeu pedidos de recursos que totalizaram R$ 3,08 milhões para despesas de campanha. Conforme os relatos, os repasses eram mascarados por meio de compras fictícias de combustíveis em postos indicados pelo próprio prefeito.

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A Aegea informou ao Metrópoles que não comentaria especificamente a suposta entrega do veículo ao parlamentar. Em comunicado divulgado ao mercado financeiro em fevereiro deste ano, a companhia afirmou que as irregularidades pertencem ao passado e destacou o compromisso atual com a integridade corporativa.

Procurado pela reportagem, Juarez Costa não se manifestou sobre as acusações. A assessoria do parlamentar recebeu questionamentos por escrito e por telefone, mas não encaminhou resposta até a publicação da matéria. Eventuais esclarecimentos serão acrescentados posteriormente.

Por meio da assessoria, o ministro Raul Araújo informou que, em razão do sigilo processual, está impedido de prestar informações sobre o caso.

Nas declarações apresentadas à Justiça Eleitoral nas eleições de 2020 e 2022, Juarez Costa informou patrimônio de R$ 2,2 milhões e não declarou possuir veículos da marca BMW.

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