Nem mesmo os avanços tecnológicos, os sistemas de transparência e os mecanismos modernos de controle conseguiram extinguir uma velha prática que insiste em sobreviver às décadas: o uso de empresas de fachada e dos famosos “laranjas” para sangrar os cofres públicos.
Em diferentes regiões , companhias surgem praticamente da noite para o dia em nome de pessoas sem capacidade financeira compatível com os contratos que assumem. Em alguns casos, os registros societários revelam a presença de figuras conhecidas, familiares de políticos influentes e personagens que se repetem em sucessivos negócios com o poder público.
Os chamados “mudos operantes” são aqueles que aparecem formalmente como proprietários ou representantes, mas pouco ou nada sabem sobre as atividades milionárias realizadas em seus nomes. Enquanto permanecem em silêncio, verdadeiros operadores se movimentam nos bastidores, alimentando um esquema que se perpetua graças à fragilidade da fiscalização e à impunidade.
Levantamentos preliminares já apontam que esse verdadeiro “império das frutas cítricas” movimentou milhões de reais provenientes dos cofres públicos. A engrenagem é antiga: empresas recém-criadas, sócios improváveis, contratos suspeitos e uma rede de interesses que se esconde atrás de personagens descartáveis.
Resta saber quantos desses mudos operantes continuarão em silêncio quando os órgãos de controle e as investigações aprofundarem o rastreamento dos recursos públicos. Afinal, por trás de cada laranja existe sempre alguém colhendo os frutos.






















