Reportagem do VG Notícias aponta que major denunciado na Operação Simulacrum continua atuando na segurança da ex-primeira-dama de Mato Grosso, apesar de responder a ação penal.
O discurso do ex-governador de Mato Grosso e pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes (União Brasil), em defesa do endurecimento das penas para criminosos voltou a ganhar repercussão após uma aparente contradição apontada em reportagem do VG Notícias.
Segundo a publicação, enquanto Mauro Mendes defende publicamente a adoção da prisão perpétua para autores de homicídios e afirma que “ninguém aguenta mais ver bandido matando num dia e sendo solto no outro”, um policial militar que integrou sua equipe de segurança continua atuando na proteção da ex-primeira-dama Virginia Mendes, mesmo sendo réu em processo que investiga um suposto grupo de extermínio.
De acordo com o VG Notícias, o major da Polícia Militar Ronaldo Reiners responde, ao lado de outros 15 militares, a uma ação penal decorrente da Operação Simulacrum. O Ministério Público de Mato Grosso acusa os investigados de integrarem um grupo que teria simulado confrontos policiais para executar civis entre os anos de 2017 e 2020, em Cuiabá e Várzea Grande. A denúncia atribui ao grupo a responsabilidade por 23 homicídios.
Ainda conforme a reportagem, Reiners integrou a equipe de segurança de Mauro Mendes até março de 2022, sendo retirado da função poucos dias antes da deflagração da operação policial. No fim de 2025, o Ministério Público voltou a pedir sua prisão preventiva, mas o pedido foi negado pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O processo tramita na 12ª Vara Criminal de Cuiabá, com audiência de instrução e julgamento marcada para 21 de julho. O policial nega as acusações e não possui condenação definitiva.
Segurança de Virginia Mendes
O VG Notícias afirma que, mesmo após o encerramento do mandato de Mauro Mendes no Governo de Mato Grosso, Ronaldo Reiners continua sendo visto acompanhando Virginia Mendes em compromissos públicos.
Em uma dessas ocasiões, durante o lançamento da pré-candidatura da ex-primeira-dama à Câmara dos Deputados, o militar teria impedido a aproximação de um jornalista, segurando seu braço para evitar questionamentos à esposa do ex-governador.
A situação levantou questionamentos entre policiais militares ouvidos pela reportagem, que, sob condição de anonimato, afirmaram desconhecer qualquer ato administrativo que autorize a manutenção de escolta permanente para uma ex-primeira-dama após o fim do mandato do governador.
Segundo esses relatos, designações dessa natureza deveriam ser formalizadas por ato do Comando-Geral da Polícia Militar e publicadas oficialmente, garantindo transparência quanto ao emprego de efetivo e de recursos públicos.
Precedente
Ainda segundo o VG Notícias, militares citaram como precedente o caso do ex-governador Pedro Taques, que teria solicitado a manutenção de segurança institucional após deixar o cargo, mas não teria obtido autorização por falta de previsão legal.
Na avaliação dos entrevistados, a continuidade da escolta de ex-autoridades depende de respaldo jurídico e autorização formal.
Governo foi procurado
A reportagem informa que foram encaminhados pedidos de esclarecimento ao Governo de Mato Grosso, ao Comando-Geral da Polícia Militar e à assessoria de Mauro Mendes para informar se existe ato administrativo autorizando a atuação do major Ronaldo Reiners na segurança de Virginia Mendes, qual o fundamento jurídico da designação e qual é a situação funcional do policial militar.





















