Médicos do Hospital Regional de Samambaia não têm acesso ao histórico do pré-natal de gestantes, aponta denúncia

Hospital Regional de Samambaia. Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

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Uma falha na integração dos sistemas de informação da Secretaria de Saúde do Distrito Federal tem dificultado o acesso de médicos do Hospital Regional de Samambaia (HRSam) ao histórico do pré-natal das gestantes atendidas na unidade. A situação, revelada por profissionais de saúde, levanta preocupações sobre a segurança da assistência obstétrica e ganhou repercussão após as recentes mortes de duas pacientes durante o atendimento. 

Segundo uma enfermeira do HRSam, que preferiu não se identificar, os hospitais da rede utilizam o sistema TrakCare, enquanto as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), responsáveis pelo acompanhamento do pré-natal, registram as informações no e-SUS Atenção Primária. Como as duas plataformas não são plenamente integradas, o histórico clínico das pacientes nem sempre está disponível para os médicos responsáveis pelo parto. 

Na prática, quando uma gestante chega ao hospital, a equipe pode não ter acesso imediato a informações importantes, como doenças preexistentes, intercorrências durante a gravidez, exames realizados, restrições médicas ou recomendações específicas feitas ao longo do pré-natal. 

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De acordo com a profissional, a equipe acaba dependendo da Caderneta da Gestante ou das informações fornecidas pela própria paciente e seus familiares. 

“Pode ser que tenha algum tipo de complicação no pré-natal que o médico não tem acesso”, relatou a enfermeira. 

Especialistas destacam que o conhecimento do histórico gestacional pode ser decisivo para a definição da conduta médica, principalmente em casos de gravidez de risco, hipertensão, diabetes gestacional, alterações fetais ou outras condições que possam indicar a necessidade de uma cesariana ou de monitoramento mais rigoroso. 

A discussão ganhou força após as mortes de Maria Graciana Andrade Alves e Maria Aparecida Galdino dos Santos, ocorridas em um intervalo de apenas quatro dias no Hospital Regional de Samambaia. Os casos estão sendo investigados pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal. 

Embora não haja confirmação de que a falta de acesso ao prontuário tenha influenciado diretamente os desfechos, profissionais da rede defendem que a integração dos sistemas é uma medida necessária para aumentar a segurança do atendimento. 

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Em nota, a Secretaria de Saúde informou que os sistemas ainda não são totalmente integrados, mas afirmou que profissionais autorizados podem acessar ambas as plataformas. A pasta também destacou que a Caderneta da Gestante continua sendo o principal instrumento de compartilhamento das informações entre a atenção básica e os hospitais.

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