O empresário Marcelo Bozetti, um dos alvos da Operação Peso Bruto, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (4), também aparece ligado ao grupo empresarial que integra o consórcio responsável pela pavimentação da MT-170, rodovia estadual de aproximadamente R$ 130 milhões que passou a ser alvo de uma força-tarefa de órgãos de controle após apresentar graves falhas estruturais menos de um ano depois da conclusão das obras.
A operação da Polícia Federal investiga um suposto esquema de extração ilegal de calcário no município de Rosário Oeste (MT), atividade que, segundo as investigações, teria causado prejuízo superior a R$ 3 milhões aos cofres da União.
Enquanto responde às investigações federais, o empresário também está ligado ao consórcio responsável pela execução da MT-170, obra atualmente sob investigação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), do Ministério Público Estadual (MPE) e da Controladoria-Geral do Estado (CGE) devido ao rápido processo de deterioração do pavimento.
Asfalto começou a se desfazer em menos de um ano
O caso ganhou repercussão estadual após denúncias de vereadores, produtores rurais e lideranças da região Noroeste de Mato Grosso sobre o surgimento precoce de buracos, trincas e deformações na pista.
Em maio deste ano, o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, realizou uma inspeção técnica na rodovia e constatou problemas considerados graves na execução da obra.
A pavimentação foi realizada pelo Consórcio Sanches Tripoloni-Trafecon-MT Sul, formado pelas empresas MT Sul, Guache, Cavalca e Agrimat, responsável pela implantação de 50,7 quilômetros da rodovia entre os municípios de Castanheira e Juruena.
Durante a vistoria, técnicos do Tribunal identificaram que a camada asfáltica executada possuía apenas cinco centímetros de espessura, enquanto os estudos técnicos previam 7,5 centímetros para suportar o intenso tráfego de caminhões na região.
A diferença representa uma redução de aproximadamente 33% em relação ao projeto originalmente previsto.
Segundo o TCE-MT, essa alteração, somada ao elevado fluxo de veículos pesados, contribuiu diretamente para o desgaste acelerado da rodovia, entregue há menos de um ano.
Após a fiscalização, Sérgio Ricardo classificou a situação como preocupante e defendeu a reconstrução dos trechos comprometidos, alertando ainda que outros segmentos da estrada podem apresentar os mesmos problemas por terem sido executados com as mesmas especificações.
Sinfra tenta romper contrato e aplicar sanções
Além das investigações conduzidas pelos órgãos de controle, a Sinfra-MT instaurou processo administrativo para rescindir o contrato firmado com o consórcio responsável pela obra.
De acordo com a secretaria, desde 2023 foram expedidas sucessivas notificações em razão de falhas na execução dos serviços, sendo:
- quatro notificações em 2023;
- dezesseis em 2024;
- seis notificações em 2025.
Caso as irregularidades sejam confirmadas, as empresas poderão sofrer sanções administrativas, incluindo proibição de contratar com o poder público por até cinco anos, além da aplicação de multas superiores a R$ 4 milhões.
A pasta também acionou a seguradora responsável pela garantia da obra e instaurou procedimentos para apurar possíveis falhas da empresa supervisora do contrato, bem como eventual responsabilidade de servidores que atuaram na fiscalização e acompanhamento da execução dos serviços.
Enquanto isso, a Operação Peso Bruto amplia o cerco sobre Marcelo Bozetti em outra frente de investigação, desta vez relacionada à exploração ilegal de recursos minerais, conectando o empresário a duas apurações distintas que envolvem prejuízos ao patrimônio público e à infraestrutura estadual.






















