A saúde pública desponta como o principal desafio para os candidatos ao Governo do Distrito Federal nas eleições de 2026. Segundo levantamento do Correio/OPINIÃO Inteligência Política, a área foi apontada por 82,3% dos entrevistados como a principal prioridade a ser enfrentada pelo próximo governo.
O resultado coloca a saúde muito à frente de outros temas tradicionalmente presentes no debate eleitoral. A educação aparece em segundo lugar, com 43,1%, seguida pela segurança pública, citada por 33,1% dos eleitores. O transporte público soma 16,4%, enquanto o combate à corrupção foi mencionado por 6,6%.
A pesquisa mostra que a insatisfação com os serviços públicos pode ter peso decisivo na escolha do eleitor. Em levantamento anterior do mesmo instituto, realizado em junho, a disputa pelo Palácio do Buriti aparecia aberta, com Celina Leão (PP) e José Roberto Arruda (PSD) tecnicamente empatados dentro da margem de erro.
Filas e atendimento no centro da disputa
O predomínio da saúde indica que problemas concretos do cotidiano devem ganhar espaço na campanha. Filas para consultas, exames e cirurgias, demora na regulação, atendimento nas unidades básicas e falta de profissionais estão entre os principais pontos de pressão sobre o sistema público.
A avaliação de especialistas ouvidos pelo levantamento é de que o eleitorado demonstra uma preocupação mais pragmática, voltada à capacidade dos candidatos de entregar resultados em áreas que afetam diretamente a população.
Nesse cenário, promessas genéricas tendem a dividir espaço com propostas relacionadas à gestão, ampliação da rede, contratação de profissionais e redução das filas.
Candidatos apresentam diferentes propostas
Os principais candidatos ao Buriti têm colocado a saúde entre suas prioridades, mas com estratégias distintas.
A governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição, promete contratar mais de 700 profissionais e ampliar mecanismos de acompanhamento da gestão. José Roberto Arruda defende a criação de um Centro Distrital de Cirurgias e a construção de quatro hospitais.
Leandro Grass aposta na redução das filas de exames e cirurgias e no fortalecimento da atenção primária. Ricardo Cappelli (PSB) apresenta o programa “Fila Zero” e também promete a construção de quatro hospitais, além de propostas para a educação.
Paula Belmonte (PSDB) defende a digitalização de processos na saúde, enquanto Kiko Caputo (Novo) propõe uma plataforma tecnológica para modernizar a regulação. Já Samara Mineiro (UP) prevê aumento dos recursos destinados ao setor e é contrária às privatizações. Robson Raymundo (PSTU) defende o fim do Iges-DF e uma reorganização do sistema com participação de conselhos populares.
Tema pode definir campanha
Com a saúde citada por mais de oito em cada dez entrevistados, o tema tende a ocupar posição central nos programas de governo e nos debates eleitorais.
A pesquisa não significa, por si só, que a saúde determinará o voto, mas revela o tamanho da expectativa sobre os candidatos. Em uma disputa ainda aberta, a capacidade de apresentar propostas concretas para reduzir filas, melhorar o atendimento e ampliar a eficiência da rede pública pode se transformar em um dos principais critérios de avaliação do eleitor.
A primeira rodada do levantamento, realizada em junho, ouviu 1.095 eleitores presencialmente nas 33 regiões administrativas do DF, com margem de erro de 3,4 pontos percentuais.




















