ponta do iceberg

Genro de Elusmar Maggi vira peça central em investigação que aponta possível uso de “laranjas”, novas empresas e patrimônio familiar

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Documentos recentes da Polícia Civil de Mato Grosso apontam que Nivaldo Scheffer Santiago teria mantido atuação econômica por meio de empresas formalmente registradas em nome de terceiros, em padrão que os investigadores associam ao núcleo da Producampo. Um dos principais exemplos é a sua atual atribuição na empresa Desenvolve Agro Ltda., criada em dezembro de 2025 e formalmente pertencente a Luara Cabral de Carvalho Prezotto, esposa do Sócio Proprietário da Churrascaria “Nativas” – Wellyton Henrique Prezotto. Pouco mais de alguns dias da criação, Nivaldo passou a figurar perante instituição financeira como representante, responsável e procurador da empresa, apesar de não constar formalmente como sócio, nem tampouco, como funcionário.

A suspeita ganhou força após Relatório de Inteligência Financeira identificar, em março de 2026, pagamentos da Cobrazem Agroindustrial de R$ 769,1 mil para a Desenvolve Agro, além de R$ 250 mil para a Producampo e R$ 844,5 mil para a Harpia Agroindústria. A Polícia passou a considerar a hipótese de atuação econômica coordenada entre essas empresas, dentro de um possível modus operandi baseado na utilização de pessoas jurídicas formalmente pertencentes a terceiros. O próprio relatório registra indícios de que estruturas dessa natureza poderiam servir para movimentar operações ligadas ao grupo investigado.

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Também chama atenção a Desenvolve Securitizadora S.A., CNPJ nº 63.543.759/0001-30, criada poucas semanas antes da Desenvolve Agro. Seu quadro cadastral aponta Luara como presidente e Wellyton Henrique Prezotto como diretor. Wellyton já havia sido notícia policial em 2019, quando, então identificado como sócio-proprietário da Churrascaria Nativas Grill, foi preso após ser flagrado dirigindo um Porsche sob efeito de álcool em Cuiabá, segundo reportagem do Leiagora. Não há, contudo, nos elementos examinados, demonstração de que esse episódio antigo tenha qualquer ligação com a atual investigação ou de que a Desenvolve Securitizadora tenha participado diretamente das movimentações do RIF.

Outro aspecto sensível do relatório é o detalhamento de diversas operações financeiras envolvendo Rayssa Scheffer Santiago, esposa de Nivaldo. A Polícia aponta triangulações entre contas do casal e empresas investigadas e afirma ter encontrado novos indícios de confusão patrimonial, inclusive com valores entrando e saindo em datas próximas e montantes correspondentes. Em outra passagem, o relatório sustenta que a conta de Rayssa teria sido utilizada para movimentar valores relacionados à Producampo e a outras empresas investigadas.

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Esse contexto adiciona um componente particularmente delicado à investigação: além das empresas formalmente em nome de terceiros, a própria estrutura patrimonial do casal passou a ser examinada como possível instrumento de circulação e ocultação de recursos.

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