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Fazenda de ex-secretário de Cuiabá dispara de R$ 12 milhões para R$ 157 milhões em poucos meses

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Imóvel em Chapada dos Guimarães teve valor de negociação anterior informado em aproximadamente R$ 12 milhões; anúncio atual aceita até pagamento em Bitcoin

A Fazenda Quilombinho 2, localizada na região de Chapada dos Guimarães, a cerca de 67 quilômetros de Cuiabá, voltou ao centro das atenções após ser anunciada por R$ 157 milhões, valor que representa uma diferença de aproximadamente R$ 145 milhões em relação aos cerca de R$ 12 milhões envolvidos em negociação anterior.

A informação foi divulgada pelo VG Notícias, que vem acompanhando a situação da propriedade e teve acesso a documentos relacionados ao imóvel. Segundo a publicação, a fazenda está vinculada ao ex-secretário municipal de Educação de Cuiabá, Amauri Monge Fernandes.

O anúncio de venda atribuído a Ronald Kemmp Santin Borges informa que a propriedade possui 1.863,06 hectares e estaria estruturada para atividades agropecuárias. Entre os itens citados estão curral coberto com balança, sede mobiliada com seis suítes, barracão de 600 metros quadrados, armazém de mil metros quadrados, casas para funcionários, tratores, pá-carregadeira, motoniveladora e outros implementos agrícolas.

O vendedor também afirma aceitar propostas para uma venda rápida e diz que o pagamento pode ser feito em criptomoedas, preferencialmente Bitcoin.

Salto de R$ 12 milhões para R$ 157 milhões

O valor anunciado chama atenção pela diferença em relação à negociação anterior da propriedade.

Segundo documentos e informações publicados pelo VG Notícias, a Fazenda Quilombinho 2 foi adquirida inicialmente em julho de 2022 por Bruno Frezzarin Andrade Monge Fernandes, filho de Amauri, em conjunto com o empresário Eduardo Scutti Garbugio. A propriedade foi avaliada em mais de R$ 12 milhões na documentação relacionada ao negócio.

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Posteriormente, registros passaram a apontar Amauri Monge Fernandes como coproprietário. Documento emitido em junho de 2026 e registros ambientais também passaram a vinculá-lo à propriedade.

Com o anúncio atual de R$ 157 milhões, a diferença nominal chega a aproximadamente R$ 145 milhões, fazendo com que o preço pedido seja mais de 13 vezes superior ao valor anteriormente informado.

A diferença, por si só, não comprova qualquer irregularidade. O anúncio, entretanto, não apresenta avaliação imobiliária ou laudo técnico que permita identificar como foi estabelecido o valor de R$ 157 milhões.

Fazenda é alvo de disputa judicial

A propriedade também está envolvida em questionamentos judiciais relacionados à situação territorial e ambiental da área.

Conforme reportagem do VG Notícias, em outubro de 2024, Eduardo Scutti Garbugio e a empresa BGA Serviços ME ingressaram na Justiça de Chapada dos Guimarães pedindo a resolução do contrato de compra e venda.

Na ação, foram apresentadas alegações de que a propriedade estaria praticamente sobreposta ao Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e a uma área pertencente à União que estaria submetida a processo de desapropriação pelo ICMBio.

Segundo os documentos citados pelo site, a situação teria comprometido a utilização econômica do imóvel, que chegou a ser descrito no processo como um “pesado fardo sem nenhum retorno financeiro”.

CAR aponta área dentro de unidade de conservação

Outro ponto destacado na apuração do VG Notícias está relacionado ao Cadastro Ambiental Rural (CAR).

Documento emitido em 24 de junho de 2026 passou a indicar Amauri Monge Fernandes e Eduardo Scutti Garbugio como coproprietários da área. O cadastro aponta uma extensão de aproximadamente 1.863 hectares e registra a totalidade da área como localizada em unidade de conservação.

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A situação também provocou manifestação política. O deputado estadual Valdir Barranco (PT) afirmou que encaminharia informações a órgãos como Ministério Público Federal, Advocacia-Geral da União e Incra para que fossem apuradas eventuais irregularidades envolvendo a propriedade.

Ex-servidores da Seduc aparecem ligados à exploração

A ligação entre Amauri e Ronald também já havia sido revelada pelo VG Notícias.

Segundo documentos citados pela reportagem, em dezembro de 2025 Amauri assinou contrato particular relacionado à exploração comercial da fazenda, tendo Ronald Kemmp Santin Borges como gestor. O contrato previa participação de Ronald nos lucros da atividade agropecuária desenvolvida na propriedade.

Os dois também tiveram passagem pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT). Registro oficial mostra que Ronald Kemmp Santin Borges foi exonerado do cargo de assessor técnico da pasta em março de 2024.

Venda coloca propriedade novamente sob os holofotes

A nova oferta coloca a Fazenda Quilombinho 2 novamente no centro das atenções.

De um lado, existe uma propriedade de aproximadamente 1.863 hectares, com estrutura e equipamentos descritos no anúncio. De outro, permanecem questionamentos documentais, territoriais e ambientais que já foram levados à Justiça e motivaram pedidos de apuração por órgãos públicos.

A reportagem do Pauta Diária destaca que o valor de R$ 157 milhões é o preço anunciado, e não necessariamente o valor pelo qual o imóvel será efetivamente vendido.

A origem do valor pedido, a eventual existência de interessados e as condições jurídicas e ambientais para uma possível negociação deverão ser esclarecidas no decorrer das apurações.

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