Crise na Cultura: troca de comando no Museu Nacional expõe desorganização da gestão Celina Leão

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A troca no comando do Museu Nacional da República expôs mais um episódio de desgaste na gestão cultural do governo Celina Leão. O ex-diretor da instituição, Paulo Vega, tornou pública uma carta em que critica a maneira como a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF) conduziu sua saída e aponta falta de transparência, insegurança administrativa e descontinuidade na gestão de uma das principais instituições culturais de Brasília. 

Segundo Vega, a comunicação sobre sua exoneração ocorreu de maneira informal, em 5 de agosto, durante uma conversa com a subsecretária interina do Patrimônio Cultural, Marmenha Rosário. Ele afirma ter sido informado de que o ato seria publicado no Diário Oficial do Distrito Federal no dia seguinte. A exoneração, porém, não foi publicada imediatamente. 

Enquanto isso, em 6 de agosto, a Secec-DF nomeou Maria de Fátima Medeiros de Souza como diretora interina. O resultado foi uma situação no mínimo constrangedora: enquanto o antigo diretor ainda aguardava a formalização de sua saída, uma nova responsável já havia sido designada para o cargo. 

A própria secretaria informou posteriormente que o processo de exoneração foi encaminhado à Casa Civil somente em 10 de agosto, com efeito retroativo a 6 de agosto. A explicação, em vez de dissipar as dúvidas, reforça a percepção de uma condução burocrática desorganizada, na qual decisões administrativas parecem ter sido tomadas antes que os procedimentos formais fossem concluídos. 

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Vega relata ainda que continuou trabalhando nos dias seguintes para evitar qualquer interpretação de abandono do cargo, mas teve seus acessos aos sistemas institucionais bloqueados em 7 de agosto e foi informado de que não deveria mais frequentar o museu. 

O problema ultrapassa a disputa administrativa. De acordo com o ex-diretor, o bloqueio repentino prejudicou processos em andamento, inclusive a assinatura de documentos relacionados à doação de obras de arte. Uma instituição que depende de relações permanentes com artistas, curadores, colecionadores, patrocinadores e doadores não pode se dar ao luxo de transformar uma troca de comando em um período de incerteza. 

Cultura tratada como questão secundária 

A situação também levanta questionamentos sobre a prioridade dada pela atual gestão à política cultural do Distrito Federal. Vega classificou a Secec-DF como “desinteressada” em relação ao museu e afirmou não perceber um esforço efetivo para levar a instituição a um novo patamar. 

A crítica ganha peso porque o Museu Nacional da República não é uma unidade administrativa qualquer. Trata-se de um dos espaços culturais mais importantes de Brasília e de uma instituição que deveria estar no centro de uma política pública de valorização da produção artística e do patrimônio cultural. 

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Em vez disso, a mudança de direção terminou marcada por informações desencontradas, atraso na formalização da exoneração e uma espécie de vácuo administrativo que poderia ter sido evitado com um processo de transição minimamente organizado. 

A Secec-DF, por sua vez, classificou o episódio como um “ato normal da administração” e argumentou que o cargo de diretor é de confiança e, portanto, de livre escolha da gestão. 

A justificativa pode explicar a prerrogativa legal para substituir o ocupante do cargo, mas não responde às críticas sobre como a substituição foi conduzida. Ter liberdade para nomear e exonerar não significa ter liberdade para administrar sem planejamento, comunicação adequada e respeito aos procedimentos institucionais. 

A escolha da nova diretora, uma servidora de carreira, doutora em artes e com experiência anterior no próprio museu, pode representar uma oportunidade de reorganização. Mas, diante do episódio, caberá à Secec-DF demonstrar que a mudança não será apenas uma troca de nomes, mas o início de uma gestão capaz de devolver previsibilidade, credibilidade e protagonismo ao Museu Nacional.

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